BRICS não busca desdolarização nem nova moeda, diz Vieira às vésperas de reunião do grupo

Segundo o chanceler, o grupo busca, na realidade, mecanismos de pagamento alternativos.

O BRICS não busca "promover a desdolarização ou criar uma nova moeda", mas sim estabelecer mecanismos de pagamento voluntários e de baixo custo. A avaliação foi feita pelo ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, em entrevista ao portal Strait Times na terça-feira (8).

Segundo o chanceler, a criação desses mecanismos permitiria aos países do grupo realizar comércio entre si na moeda de sua escolha, seja em suas próprias moedas, em euros ou em dólares americanos.

"Não se trata de abandonar o dólar; trata-se de criar novas formas de promover o comércio e de ter um sistema rápido, um sistema direto e, é claro, também um sistema mais barato para o comércio bilateral entre os países", afirmou ao veiculo.

Nesse contexto, Vieira destacou a experiência bem-sucedida do Brasil com o sistema de pagamentos Pix. "É utilizado por 80% da população brasileira. É muito rápido, eficiente e gratuito. Tenho certeza de que outros sistemas semelhantes a esse serão implementados no futuro para pagamentos entre países", afirmou.

O alto diplomata conversou com a imprensa durante visita oficial a Singapura. Nesta quarta-feira (9) e na quinta-feira (10), ele visita Bangkok, capital da Tailândia, antes de seguir para Nova Delhi, onde participará da 18ª Cúpula do BRICS. O evento deve contar com a presença de chefes de Estado como Vladimir Putin, da Rússia; Cyril Ramaphosa, da África do Sul; e do anfitrião Narendra Modi, mas não do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está focado na campanha para a reeleição.

"O Brasil é uma nação em desenvolvimento, que busca traçar seu próprio caminho rumo ao desenvolvimento em meio a uma ordem global em desordem. Como uma das principais vozes do Sul Global,o Brasil nunca hesitou em criticar as falhas e limitações da ordem internacional", sustentou o ministro