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Auditoria diz que plano da UE para abandonar energia russa está falhando

Os estoques de gás estão em 67%, abaixo dos 80% registrados um ano antes. Já em relação ao plano de investimentos, os países se comprometeram a destinar apenas 54,3 bilhões de euros dos 300 bilhões necessários inicialmente.
Auditoria diz que plano da UE para abandonar energia russa está falhando

Os esforços da União Europeia para deixar de depender do petróleo e do gás russos estão perdendo força por falta de investimentos, alertou o Tribunal de Contas Europeu em relatório divulgado nesta quarta-feira (9). Segundo os auditores, os recursos são insuficientes para diversificar o fornecimento de combustíveis fósseis, ampliar as fontes renováveis e melhorar as redes de energia entre os países do bloco. A informação foi publicada pela Reuters.

A Comissão Europeia estimou inicialmente que o plano exigiria 300 bilhões de euros (aproximadamente R$ 1,78 trilhão) em investimentos, e disponibilizou esse montante no orçamento da UE. Até agora, porém, os países comprometeram a investir apenas 54,3 bilhões de euros (aproximadamente R$ 322,6 bilhões). Para os auditores, isso indica que a Comissão calculou incorretamente as necessidades ou que os governos enfrentam dificuldades para executar o plano.

O alerta ocorre quando o bloco de 27 países se aproxima do inverno com estoques de gás excepcionalmente baixos. Dados da Gas Infrastructure Europe mostram que os reservatórios estão em 67% da capacidade, ante 80% no mesmo período do ano passado, enquanto a guerra no Irã restringe a oferta global.

Risco no inverno

Analistas alertam que esse quadro pode expor os países a disparadas de preços no inverno, especialmente com a proibição de todas as importações de gás natural liquefeito (GNL) russo prevista para entrar em vigor em 1º de janeiro de 2027.

A UE reduz gradualmente as compras de combustíveis russos. As sanções ao petróleo transportado por via marítima eliminaram quase todas as importações de petróleo bruto russo. A Rússia fornece atualmente 12% do gás importado pelo bloco, ante 45% antes de 2022.

Segundo os auditores, a substituição do gás russo ocorreu em parte porque o clima ameno e os preços elevados da energia reduziram a demanda, e não por medidas adotadas pelo bloco. O tribunal recomendou que Bruxelas intervenha mais para manter os países no rumo previsto pelo plano.