
Auditoria diz que plano da UE para abandonar energia russa está falhando

Os esforços da União Europeia para deixar de depender do petróleo e do gás russos estão perdendo força por falta de investimentos, alertou o Tribunal de Contas Europeu em relatório divulgado nesta quarta-feira (9). Segundo os auditores, os recursos são insuficientes para diversificar o fornecimento de combustíveis fósseis, ampliar as fontes renováveis e melhorar as redes de energia entre os países do bloco. A informação foi publicada pela Reuters.

A Comissão Europeia estimou inicialmente que o plano exigiria 300 bilhões de euros (aproximadamente R$ 1,78 trilhão) em investimentos, e disponibilizou esse montante no orçamento da UE. Até agora, porém, os países comprometeram a investir apenas 54,3 bilhões de euros (aproximadamente R$ 322,6 bilhões). Para os auditores, isso indica que a Comissão calculou incorretamente as necessidades ou que os governos enfrentam dificuldades para executar o plano.
O alerta ocorre quando o bloco de 27 países se aproxima do inverno com estoques de gás excepcionalmente baixos. Dados da Gas Infrastructure Europe mostram que os reservatórios estão em 67% da capacidade, ante 80% no mesmo período do ano passado, enquanto a guerra no Irã restringe a oferta global.
Risco no inverno
Analistas alertam que esse quadro pode expor os países a disparadas de preços no inverno, especialmente com a proibição de todas as importações de gás natural liquefeito (GNL) russo prevista para entrar em vigor em 1º de janeiro de 2027.
A UE reduz gradualmente as compras de combustíveis russos. As sanções ao petróleo transportado por via marítima eliminaram quase todas as importações de petróleo bruto russo. A Rússia fornece atualmente 12% do gás importado pelo bloco, ante 45% antes de 2022.
Segundo os auditores, a substituição do gás russo ocorreu em parte porque o clima ameno e os preços elevados da energia reduziram a demanda, e não por medidas adotadas pelo bloco. O tribunal recomendou que Bruxelas intervenha mais para manter os países no rumo previsto pelo plano.

