Petróleo por mercadorias: o esquema secreto entre Irã e China para contornar sanções dos EUA

A agência de notícias Reuters aponta que, dessa forma, o Irã mantém sua receita petrolífera e compra mercadorias da China, enquanto os EUA aumentam a pressão econômica e militar.

O Irã utilizou um mecanismo semelhante ao escambo para contornar as sanções sobre suas exportações de petróleo e adquirir bens da China no valor de bilhões de dólares, incluindo equipamentos militares, informa Reuters.

O método, que opera por meio de créditos concedidos em troca de petróleo iraniano, teria canalizado entre 2 bilhões e 2,5 bilhões de dólares no último ano através de uma entidade de propósito específico, apontam as fontes.

Esse sistema permite ao Irã manter sua receita petrolífera, diante do aumento da pressão econômica e militar dos EUA.

Como o Irã troca petróleo por produtos chineses

O mecanismo permite realizar transações sem pagamentos diretos de empresas iranianas a fornecedores chineses prescindindo do sistema bancário internacional.

Segundo as fontes, um comprador agindo em nome da estatal chinesa de petróleo Zhuhai Zhenrong depositava mensalmente centenas de milhões de dólares em contas de uma organização financeira chinesa pouco conhecida, a ChuXin.

Os depósitos cobriam compras acertadas com uma empresa ligada à petrolífera nacional iraniana.

Em seguida, a ChuXin transferia os recursos para exportadores chineses e empresas que atuam na construção de infraestrutura no Irã. 

Cerca de 70% da receita do petróleo iraniano sob gestão da ChuXin é destinada a projetos de infraestrutura.

O restante dos recursos vai para contas de uma empresa de propósito específico (SPV), usada para pagar o fornecimento de bens ao Irã.

Resposta às sanções unilaterais

A China é a principal compradora do petróleo iraniano: em 2025, respondia por mais de 80% das exportações do país — cerca de 1,4 milhão de barris por dia.  

O mecanismo existe desde 2021, quando foi usado inicialmente para fornecer ao Irã medicamentos e vacinas contra a COVID-19.

As fontes afirmam que o esquema também garantiu a compra de remédios, veículos e equipamentos de comunicação chineses. Dessa forma, Pequim mantém o acesso ao petróleo iraniano barato, ao mesmo tempo que tenta proteger seus bancos e empresas das sanções americanas.

O mecanismo também teria sido usado pelo menos uma vez no último ano para fornecer ao Irã equipamentos de defesa aérea, com contratos de milhões de dólares.  Os fabricantes chineses não negociavam diretamente com Teerã, e não há indícios de violação das sanções.

O Ministério das Relações Exteriores da China disse que "não está familiarizado com a situação descrita" e reiterou sua oposição a sanções unilaterais, que carecem de fundamento no direito internacional e não foram autorizadas pelo Conselho de Segurança da ONU.