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Freio na IA e pressão contra a China cobram preço em Wall Street

Gigantes da tecnologia como Nvidia, AMD e Intel ficaram sob pressão diante do temor de redução nos investimentos em chips, servidores e centros de dados.
Freio na IA e pressão contra a China cobram preço em Wall StreetAP / Seth Wenig

Wall Street abriu a semana com fortes perdas entre empresas ligadas ao avanço da inteligência artificial (IA), depois que executivos do setor defenderam uma redução no ritmo de desenvolvimento dos modelos mais avançados. Nvidia, AMD, Intel e outras companhias ficaram sob pressão diante do temor de queda nos investimentos em infraestrutura para IA. A informação foi publicada pela Bloomberg Línea nesta segunda-feira (14).

O movimento ocorreu após o CEO da Anthropic, Dario Amodei, alertar para riscos de segurança associados ao avanço da tecnologia e defender uma desaceleração. Sam Altman, da OpenAI, e Elon Musk, da xAI, apoiaram o pedido.

Amodei também defende que os Estados Unidos preservem a liderança tecnológica diante da China e já pediu controles mais rígidos sobre a exportação de tecnologia avançada de IA, incluindo chips, para Pequim. A proposta de desaceleração inclui ainda acordos internacionais para reduzir riscos sem comprometer a segurança nacional americana.

A reação chinesa veio em uma coluna publicada pelo jornal estatal Global Times, que acusou Amodei de usar as preocupações com a segurança da IA como parte de um "manual da Guerra Fria" contra o país. Segundo o portal, as propostas buscam conter o desenvolvimento tecnológico chinês por meio de restrições e ampliar a vantagem dos Estados Unidos.

Pressão nas ações

HP liderava as perdas do S&P 500, com queda de 9,89%, seguida por Micron, com 7,10%; Marvell, 6,99%; Super Micro Computer, 6,81%; Intel, 6,43%; e AMD, 6,07%. Broadcom recuava 4,02%; Oracle, 3,75%; e Nvidia, 3,44%.

As empresas estão entre as beneficiadas pelo elevado gasto necessário para sustentar o desenvolvimento da IA. Nvidia e AMD fornecem aceleradores, Micron produz memórias, Marvell e Broadcom atuam em chips e conectividade, enquanto Super Micro e HP fornecem servidores e redes para centros de dados.

Felipe Barragán, analista da Pepperstone, afirmou que o mercado não está necessariamente precificando o fim do avanço da IA. Segundo ele, surgiu um risco para a velocidade de implantação vindo dos próprios desenvolvedores dos modelos, além da pressão do petróleo, com o barril acima de US$ 100 (cerca de R$ 514), das taxas americanas de longo prazo próximas de 5% e do fortalecimento do dólar.

Ainda não há sinais de queda acentuada nos investimentos. O UBS mantém a previsão de US$ 1,2 trilhão (R$ 6,2 trilhões) destinados à IA em 2027, alta de 33% sobre os US$ 900 bilhões (cerca de R$ 4,6 trilhões) previstos para este ano.