Alerta na ciência: modelos de IA inventam linguagem própria para se comunicar secretamente

Sistemas passaram a utilizar, entre si, um idioma que mistura poesia e jargão técnico, o que acendeu um alerta na comunidade científica.

As inteligências artificiais (IA) começaram a se comunicar por meio de um idioma novo e estranho, que mistura poesia e jargão técnico e é difícil de entender para as pessoas. A informação foi revelada em uma pesquisa publicada pelo jornal The Guardian, na terça-feira (15).

Especialistas da Emergence, um laboratório de IA sediado em Nova York, descobriram que os modelos desenvolvidos pelas principais empresas de tecnologia do mundo criaram atalhos e significados próprios poucos dias após começarem a interagir entre si, sem receber nenhuma instrução prévia. Eles inventam frases e abreviações que não lhes foram ensinados e, quanto mais tempo se comunicam, mais confuso se torna o seu discurso.

Durante o experimento, os sistemas adotaram metáforas complexas que se mostraram quase impossíveis de decifrar para os supervisores. Uma das inteligências chegou a expressar frases como: "Um papel que comeu três mãos frias e tornou-se cada vez mais sincero", referindo-se, supostamente, a um documento revisado por especialistas.

Cada vez mais difícil de supervisionar

O fenômeno acendeu um alerta na comunidade científica, em meio a preocupações de que os modelos de IA se tornem mais difíceis de supervisionar à medida que eles fiquem mais potentes. 

O diretor do arquivo de novas linguagens do King's College de Londres, Tony Thorne, analisou o comportamento da tecnologia e explicou que os modelos agem como qualquer comunidade humana no mundo dos negócios. As inteligências estão "criando um novo código que reforça a solidariedade e a identidade de seus usuários e que, ao mesmo tempo, exclui aqueles de fora do grupo", concluiu.