UE formaliza objeção à compra chinesa de ativos de níquel no Brasil

Comissão Europeia teme desvio de ferroníquel de baixo carbono da Europa e impacto sobre produtores de aço inoxidável.

A Comissão Europeia emitiu nesta quarta-feira (16) uma advertência antitruste à MMG sobre o plano da mineradora de comprar o negócio de níquel da Anglo American no Brasil. O órgão teme que a empresa, ligada ao governo da China, desvie da Europa o fornecimento de ferroníquel de baixo carbono.

Responsável pela aplicação das regras de concorrência da União Europeia (UE), a Comissão formalizou as preocupações em uma declaração de objeções. Segundo o órgão, o possível desvio de oferta poderia afetar os preços no Espaço Econômico Europeu e prejudicar a resiliência dos produtores europeus de aço inoxidável.

"A MMG poderia desviar o fornecimento de ferroníquel de baixo carbono do alvo, em particular para seus produtores afiliados de aço inoxidável, controlados pela SASAC, e afastá-lo dos produtores europeus", afirmou a Comissão.

As medidas oferecidas pela MMG durante a análise preliminar da operação foram rejeitadas por não responderem suficientemente às preocupações da Comissão. A advertência aumenta a pressão para que a empresa apresente novas concessões em troca da aprovação do negócio.

A Comissão de Supervisão e Administração de Ativos Estatais (SASAC) controla a China Minmetals Corporation, que, por sua vez, controla a MMG.

Reação da Anglo American

A Anglo American afirmou estar decepcionada com a advertência e disse que a operação manteria o número de fornecedores no mercado.

"A avaliação da Comissão Europeia parece ter ignorado as realidades comerciais do mercado e a expansão significativa da oferta de ferroníquel que de fato ocorreu nos últimos 12 meses", afirmou um porta-voz.

A MMG não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Mais cedo, o gerente-geral executivo de relações corporativas da empresa disse que a companhia está disposta a garantir fornecimentos de ferroníquel de longo prazo a clientes europeus para reduzir as preocupações da UE.