As relações entre Brasil e China tornaram-se "um modelo de unidade e cooperação entre as grandes potências do Sul Global", declarou o ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, nesta quarta-feira (16), em encontro com o assessor especial da Presidência brasileira, Celso Amorim, em Pequim.
Yi enfatizou a "natureza global, estratégica e de longo prazo" das relações sino-brasileiras, apontando que os dois países são "os maiores países em desenvolvimento nos hemisférios Oriental e Ocidental". Nessa posição, afirmou que ambos devem "manter viva a chama do multilateralismo e liderar o Sul Global rumo à unidade e à autossuficiência".
"A China e o Brasil precisam fortalecer a comunicação estratégica, aprofundar a cooperação estratégica e, conjuntamente, injetar estabilidade em um mundo repleto de mudanças, dando novas contribuições para a paz e o desenvolvimento da humanidade", defendeu o chanceler.
Amorim concordou com Yi e também apoiou o fortalecimento da "comunicação e a cooperação em plataformas multilaterais como o BRICS", contribuindo conjuntamente para "a promoção da paz e do desenvolvimento mundial".
Ucrânia e Oriente Médio
Durante o encontro, "os dois lados trocaram opiniões aprofundadas sobre questões como acrise na Ucrânia, a situação na América Latina e no Oriente Médio", segundo nota oficial.
Os dois altos diplomatas têm um histórico consistente de defesa de uma solução negociada para o conflito ucraniano. Em 2024, um plano de paz sino-brasileiro chegou a contar com o apoio de mais de 100 países, incluindo nações como a Suíça e membros da Otan, como Turquia e Hungria.
Inteligência Artificial
Pequim também afirmou estar disposto a cooperar com o Brasil no desenvolvimento da inteligência artificial (IA).
Wang elogiou a decisão brasileira de aderir à Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial (WAICO). Segundo ele, China e Brasil podem trabalhar juntos para promover um desenvolvimento da tecnologia voltado ao benefício da humanidade, de forma inclusiva e acessível.