Brasil reconhece dificuldades em combater trabalho análogo à escravidão após relatório da ONU

Embora o relator Tomoya Obokata reconheça que há leis e instituições combatendo a prática no Brasil, seu relatório aponta que faltam recursos, sobretudo auditores para fiscalizar empresas.

Após um relatório no Conselho de Direitos Humanos da ONU apontar problemas estruturais no combate à escravidão moderna, o governo brasileiro reconheceu que há "desafios" que precisam ser superados. A informação foi dada pelo colunista Lauro Jardim, do O Globo, nesta quarta-feira (16).

O japonês Tomoya Obokata, relator especial e professor na Universidade de York, apontou que embora o Brasil possua leis e instituições dedicadas para enfrentar o problema, a implementação e fiscalização é deficiente devido à falta de recursos. Como por exemplo, a falta de auditores-fiscais, apenas 2,6 mil para o país todo.

Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a chance de um estabelecimento ser fiscalizado é de apenas 3,8%, e a quantidade de auditores em proporção aos trabalhadores caiu pela metade desde os anos 90.

Em resposta, o representante do governo brasileiro Ricardo Monteiro explicou que a exploração de trabalhadores em casos análogos à escravidão é decorrente de problemas sociais crônicos que assolam o Brasil. Entre eles a desigualdade, pobreza, e falta de capacidade das instituições.