Engenheiro da DeepSeek acusa Anthropic e OpenAI de tentar monopolizar a IA

Liu Shengyu defendeu o modelo de código aberto da empresa chinesa e comparou um eventual domínio da tecnologia por uma única companhia a um cenário extremo envolvendo a Alemanha nazista.

Um engenheiro da empresa chinesa DeepSeek acusou as americanas Anthropic e OpenAI de tentarem monopolizar o desenvolvimento de uma inteligência artificial avançada. A declaração foi publicada na segunda-feira (14) na plataforma de mensagens WeChat, em meio ao crescente debate sobre o recente apelo de líderes do setor de tecnologia dos EUA para conter o desenvolvimento da área.

Citado pelo South China Morning Post, Liu Shengyu afirmou que não confia nas empresas para manter a inteligência artificial "aberta e acessível". Em sua publicação, o especialista contrastou o modelo fechado adotado por empresas americanas com a abordagem de código aberto da DeepSeek. Segundo ele, um eventual monopólio corporativo da tecnologia tornaria “a mobilidade social cada vez mais difícil”.

Liu comparou a possibilidade de a Anthropic controlar a inteligência artificial geral (IAG) ao cenário hipotético em que Adolf Hitler e a Alemanha nazista tivessem desenvolvido a tecnologia nuclear antes dos Aliados durante a Segunda Guerra Mundial. Embora tenha reconhecido que a analogia é extrema, o engenheiro afirmou que a gravidade de um eventual monopólio da IA "não é menos significativa".

Por fim, o desenvolvedor explicou que sua defesa de uma tecnologia mais inclusiva foi um dos motivos que o levaram a permanecer na DeepSeek. "Nós pesquisamos uma inteligência artificial poderosa, rápida e acessível, e a tornamos de código aberto", afirmou Liu, acrescentando que espera que essa abordagem ajude a evitar um futuro distópico dominado por megacorporações, semelhante ao retratado no videogame Cyberpunk 2077.