Os Estados Unidos incorporaram uma nova arma espacial ao arsenal militar. Trata-se de uma capacidade orbital destinada a proteger as forças americanas e reforçar a dissuasão diante de Rússia e China, segundo informou a Bloomberg na quarta-feira (16).
O secretário da Força Aérea dos EUA, Troy Meink, confirmou que Washington já dispõe de um sistema de armas implantado em órbita, mas evitou detalhar suas características ou informar se ele foi testado.
A revelação levou o Ministério das Relações Exteriores da Rússia a advertir sobre "consequências catastróficas" caso o sistema venha a ser utilizado.
Segundo autoridades americanas citadas pela Bloomberg, a nova capacidade complementa o arsenal espacial já existente, formado por sistemas terrestres projetados para interferir temporariamente nas comunicações de satélites russos e chineses.
Especialistas consultados pelo veículo avaliam que o novo sistema pode se basear em tecnologias de interferência eletrônica a partir do espaço, embora seu funcionamento exato permaneça desconhecido.
Interferência eletrônica
O comandante do Comando das Forças de Combate da Força Espacial dos EUA, tenente-general Greg Gagnon, afirmou que o objetivo dessas capacidades é fortalecer a dissuasão.
Victoria Samson, diretora de segurança e estabilidade espacial da fundação Secure World, afirmou que o sistema pode consistir em uma capacidade de interferência eletrônica implantada em órbita, semelhante às que os Estados Unidos atribuem à China e à Rússia.
Clayton Swope, especialista do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), considera que as informações divulgadas são vagas demais para avaliar o real efeito dissuasório do sistema.
Segundo Swope, para que uma capacidade militar funcione como elemento de dissuasão, possíveis adversários precisam compreender não apenas que ela existe, mas também como pode ser empregada e qual é seu potencial destrutivo. Esses aspectos, porém, continuam desconhecidos neste caso.