O ministro Gilmar Mendes votou contra uma tese que poderia beneficiar diretamente Daniel Vorcaro em uma disputa envolvendo usinas sucroalcooleiras, cujo impacto para a Advocacia-Geral da União (AGU) é estimado em até R$ 145 bilhões, conforme publicado pelo Estadão na quinta-feira (17).
Vorcaro se reuniu com Gilmar em 11 abril de 2024 para defender a validade das ações indenizatórias movidas pelas empresas contra a União.
O Banco Master, então presidido por ele, mantinha bilhões de reais em créditos dessas companhias, adquiridos na forma de precatórios.
O encontro foi articulado pelo empresário Chiquinho Feitosa, então cunhado de Gilmar e contratado por Vorcaro por R$ 500 mil mensais para fazer lobby em Brasília.
Caso Alcídia
A principal disputa de interesse de Vorcaro envolvia a Destilaria Alcídia S/A.
Um mês antes do encontro, Gilmar havia pedido que o processo deixasse o plenário virtual da Segunda Turma para ser analisado presencialmente.
Quando o caso voltou à pauta, em outubro de 2024, Gilmar e André Mendonça votaram contra a empresa, enquanto Edson Fachin, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques votaram a favor.
A União apresentou recurso, mas Gilmar e Mendonça novamente ficaram vencidos.
O processo transitou em julgado em outubro de 2025.