'Não sabemos': JPMorgan desiste de suas projeções para o preço do petróleo

O banco acredita que "sem sinais claros, nem dos EUA nem do Irã, de que estejam preparados para reduzir a tensão, a suposição de que a ruptura seja temporária está se tornando cada vez mais difícil de sustentar."

O banco americano JPMorgan desistiu de projetar os preços e o comportamento do mercado de petróleo bruto, afirmando que "pela primeira vez" desde o início da guerra dos EUA contra o Irã, não possui "uma perspectiva de referência" para visualizar o que acontecerá com a indústria de energia.

Em um relatório publicado nesta quinta-feira (17), os analistas do banco indicaram que estão encontrando dificuldades para ter uma visão clara do mercado de petróleo no contexto da guerra em curso e sem previsão de termino no Oriente Médio.

"Linhas vermelhas econômicas" que eles acreditavam que o governo de Donald Trump não estaria disposto a cruzar, como o petróleo bruto acima de US$ 100 por barril, inflação beirando os 4% e o rendimento de títulos do Tesouro de 10 anos na faixa de 5%, já ficaram para trás. A instituição financeira contava com os riscos envolvidos forçando os EUA a aceitarem um acordo para reabrir o estreito de Ormuz em junho, o que não aconteceu.

Os especialistas descrevem a situação atual como um mercado "à beira do colapso", alertando que os preços atuais do petróleo se baseiam em especulações sobre a possibilidade de novas interrupções no fornecimento de petróleo bruto. O banco estima que, dadas as "condições atuais de oferta e demanda", o "valor justo" do petróleo para setembro seria de US$ 90.

Além disso, existem outros riscos para a avaliação do mercado, como os avanços dos Houthis ao longo da costa do Mar Vermelho, no Iêmen, colocando o tráfego marítimo no Estreito de Bab el-Mandeb sob risco.

O banco conclui que "Sem sinais claros, nem dos EUA nem do Irã, de que estejam preparados para reduzir a tensão, a suposição de que a ruptura seja temporária está se tornando cada vez mais difícil de sustentar."