Washington anuncia bloqueio mundial às companhias aéreas do Irã

"Se aterrissarem, não se pode fornecer combustível, não se podem prestar serviços de aterrissagem, não se podem vender bilhetes, ou ficarão fora do sistema do dólar", ameaçou o secretário do Tesouro americano.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta segunda-feira (21) que, a partir de quarta-feira (23), as empresas aéreas do Irã serão bloqueadas em todo o mundo. 

"Em 23 de setembro, todas as companhias aéreas iranianas serão fechadas em todo o mundo", disse Bessent, ao ser questionado em uma entrevista à CNBC sobre os mecanismos que seu país pretende acionar para conter Teerã.

Consequências para outros países

"Se aterrissarem, não se pode fornecer combustível, não se podem prestar serviços de aterrissagem, não se podem vender bilhetes, ou ficarão fora do sistema do dólar", ameaçou Bessent, ao enumerar as consequências para quem prestar ajuda ao Irã.

Sobre os intermediários que ajudam o Irã a burlar as sanções americanas, Bessent respondeu: "Temos visto facilitadores em todo o mundo. Sabemos quem são. Eles sabem quem são. E vamos acabar com isso".

"Já sancionamos três bancos. O segundo maior banco do Egito, cuja filial em Dubai canalizou mais de US$ 1,8 bilhão. Vamos fechá-lo. O que está em torno do 30º lugar entre os maiores bancos turcos, o mesmo. Vamos fechá-lo. O segundo maior banco da Rússia tem filiais no exterior que estão fazendo o mesmo", acrescentou.

Questionado sobre o papel da China no assunto e se Pequim havia sido advertida, Bessent disse que "fizemos isso e, no caso de muitos países, manter conversas discretas nos bastidores é melhor do que se vangloriar disso publicamente". A autoridade norte-americana acrescentou que "os chineses e as autoridades financeiras chinesas, incluindo o governador Pan [Gongsheng] do Banco Popular da China, mostraram-se muito envolvidos no processo".

A medida faz parte da Operação "Pária Econômico", lançada em 24 de agosto por Bessent como um "Dia D econômico" contra o Irã. Na ocasião, Washington anunciou que cortaria as vias de financiamento do país em cinco áreas — ativos digitais, tecnologia, ouro, aviação e transporte marítimo — e advertiu que quem facilitasse essas redes ficaria fora do sistema do dólar.