Mensagens mostram assessora de Flávio Bolsonaro tratando de emenda com condenado no caso Marielle

PF vê indícios de desvios em repasse de R$ 199 mil; senador afirma que recursos foram destinados dentro da lei e seguiram critérios técnicos.

Uma assessora do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tratou, em 2023, da liberação de emendas parlamentares com Robson Calixto, conhecido como "Peixe", condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no processo sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco. A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo nesta segunda-feira (21).

Flávio destinou R$ 199 mil ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (IFOP), no Rio de Janeiro, para um projeto de futebol. A Polícia Federal vê indícios de desvios de recursos relacionados aos repasses.

Em nota, a assessoria de Flávio afirmou que as destinações seguiram a lei e critérios técnicos do Ministério do Esporte. Disse ainda que a entidade beneficiária é responsável pela execução dos recursos e que eventuais irregularidades devem ser apuradas pelos órgãos de controle.

Mensagens e emenda

Os diálogos foram extraídos de um celular de Calixto apreendido em março de 2024. Em uma das mensagens ao contato salvo como "Fafa Flávio Bolsonaro", ele pediu: "Amiga vê com o nosso senador se consegue nos ajudar". A assessora Maria de Fátima Bezerra Castro orientou que fosse enviado um email ou ofício com a solicitação.

As conversas continuaram até março de 2024. Em novembro, Calixto pediu que o senador não esquecesse o IFOP e escreveu: "Vê se o senador consegue nos agraciar, para não terminar o nosso projeto". "Pode deixar", respondeu a assessora.

Os registros também mostram Maria de Fátima pedindo a Calixto quatro ingressos para um camarote no desfile das campeãs na Sapucaí. Investigadores classificaram a solicitação como vantagem indevida.

Calixto foi condenado pelo STF em fevereiro a nove anos de prisão por integrar uma organização criminosa armada. Chiquinho e Domingos Brazão foram condenados, no mesmo processo, como mandantes do assassinato de Marielle.

A PF também investiga suspeitas de desvios de emendas parlamentares destinadas por Chiquinho Brazão a organizações no Rio. Segundo a polícia, parte dos recursos teria sido desviada por meio de pagamentos indevidos, empresas interpostas e mecanismos para ocultar a origem e o destino dos valores.