'Turma do KN': o que se sabe sobre contrato de R$ 427 milhões ligado a precatórios de Vorcaro

Mensagens obtidas pela Polícia Federal citam pedidos atribuídos ao ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal. Contrato previa honorários de 5% em 12 processos que poderiam destravar R$ 8,5 bilhões.

Um arquivo enviado pela Polícia Federal a ministros do STF revela um contrato de R$ 427 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Camilla Ramos, mulher do desembargador Newton Ramos, do TRF-1, informou o Metrópoles nesta segunda-feira (21). O valor seria pago em caso de êxito em 12 processos envolvendo precatórios ligados ao setor sucroalcooleiro, que poderiam render R$ 8,5 bilhões ao banco. As mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro também mostram referências à chamada "Turma do KN", em alusão ao ministro Kassio Nunes Marques.

Segundo as mensagens, Newton Ramos repassava a Vorcaro pedidos atribuídos a Nunes Marques, incluindo uma diária no hotel Fasano. Em uma delas, uma assessora pergunta ao banqueiro sobre uma solicitação atribuída ao desembargador: "Ministro Kassio me pediu para ver se vocês conseguem para ele uma tarifa promocional no Fasano. Só uma diária". Vorcaro responde: "Pode botar na minha conta". As conversas também mencionam camarote na Sapucaí, eventos, viagens e hospedagens.

O acordo previa honorários de 5% sobre os valores recebidos pelo banco nos 12 processos, com pagamento até cinco dias após a obtenção dos ganhos. Em um julgamento citado nas mensagens, Nunes Marques, Dias Toffoli e Edson Fachin votaram pelo reconhecimento do débito, enquanto Gilmar Mendes e André Mendonça foram vencidos. Camilla Ramos comemorou o voto de Nunes Marques em mensagem a Vorcaro.

Newton Ramos afirmou que sua mulher atua em causas cíveis para o Banco Master e que sua relação com Vorcaro era anterior aos fatos investigados. Segundo ele, situações envolvendo imóveis e transportes foram privadas e "sem qualquer vínculo com funções públicas". Nunes Marques negou ter votado a favor de Vorcaro ou do Banco Master, ter trocado mensagens com o banqueiro ou ter feito pedidos a ele. Afirmou ainda que o julgamento citado tratava de uma tese ampla, aplicável a diversas empresas, e não de uma ação sobre o Master.