
'Questão de honra': Primeiro-ministro do Iraque promete desarmar milícias até 2027

O primeiro-ministro do Iraque, Ali al Zaidi, se comprometeu a desarmar as milícias apoiadas pelo Irã em seu país antes de junho de 2027, estabelecendo um cronograma ambicioso para colocar sob controle estatal a complexa rede de grupos armados, em meio a pressões dos EUA. A informação foi publicada pelo The New York Times nesta segunda-feira (21).
"Isto não é algo opcional. É uma necessidade", disse Al Zaidi após apresentar seu plano em entrevista ao jornal norte-americano, no sábado (19), em Bagdá. "Outros que falaram sobre isso depois recuaram. Cederam à pressão ou a outras preocupações. Para mim, esse tema, junto com o da corrupção, é uma questão de honra", acrescentou.

Al Zaidi detalhou que seu governo formou um comitê para negociar com as milícias e que os termos do cronograma serão anunciados em 30 de setembro. Segundo seu esquema, haverá primeiro um período de 90 dias durante o qual as milícias não lançariam nenhum ataque, com garantias de que não seriam atacadas por forças americanas.
Depois disso, as milícias começariam a entregar suas armas, com o desarmamento final marcado para 30 de junho de 2027, embora os grupos armados ainda pressionem para ter até o fim do próximo ano para se desarmar.
"Eles se juntarão às Forças de Mobilização Popular como indivíduos e serão integrados a elas", disse o primeiro-ministro, apontando que seu objetivo é que essas milícias deixem de existir como entidades independentes. Após o prazo, qualquer grupo que opere sob o nome de milícias "será considerado fora da lei".
Por sua vez, diplomatas regionais e autoridades de segurança iraquianas alertam que o cronograma é extremamente precário, descrevendo-o como quase impossível de cumprir em uma época de guerra.
