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Morre Zuenir Ventura, referência no jornalismo e imortal da ABL, aos 95 anos

Autor de "1968 — O ano que não terminou" e "Cidade partida", escritor teve trajetória marcada pelo jornalismo, literatura e magistério.
Morre Zuenir Ventura, referência no jornalismo e imortal da ABL, aos 95 anosAna Paula Oliveira Migliari/TV Brasil/EBC

O jornalista e escritor Zuenir Ventura, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), morreu nesta terça-feira (22), aos 95 anos. A morte foi confirmada pela família, informou o jornal O Globo nesta terça-feira (22). Nascido em Além Paraíba (MG), em 1º de junho de 1931, Ventura construiu uma carreira de décadas na imprensa brasileira e no ensino.

Zuenir estreou como repórter em 1960, no jornal Tribuna da Imprensa, após se oferecer para escrever sobre Albert Camus, cuja morte havia sido noticiada naquele período. Ao longo da carreira, passou por veículos como Correio da Manhã, O Cruzeiro, Visão, Veja, IstoÉ, Jornal do Brasil e O Globo, onde se tornou colunista em 1999. Também lecionou por décadas na UFRJ e na Escola Superior de Desenho Industrial.

A experiência durante a ditadura militar resultou em obras como "1968 — O ano que não terminou", publicada em 1988, e "1968: O que fizemos de nós", de 2008. Ventura também escreveu "Cidade partida", de 1994, sobre a divisão socioeconômica do Rio de Janeiro, e "Chico Mendes — Crime e castigo", baseado em uma série de reportagens sobre o assassinato do líder ambientalista. Em 2014, foi eleito para a ABL, ocupando a cadeira anteriormente pertencente a Ariano Suassuna.

Em 2022, aos 91 anos, recebeu o prêmio Faz Diferença pelo livro "Minhas histórias dos outros", que reúne episódios e encontros com personalidades da cultura e da política brasileira. Ventura deixa a esposa, Mary Ventura, e dois filhos, o jornalista Mauro e a editora Elisa.