O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta quarta-feira (23) durante discurso na Assembleia Geral da ONU que o povo iraniano é "vítima do terrorismo". A declaração foi uma resposta às acusações do presidente dos EUA, Donald Trump, que classificou o Irã como um Estado terrorista.
"O presidente dos Estados Unidos nos descreveu como terroristas. Nós somos vítimas do terrorismo", declarou Pezeshkian.
O líder iraniano também afirmou que o ex-líder supremo Ali Khamenei foi assassinado "sem qualquer fundamento legal ou motivo" nos ataques realizados pelos EUA e por Israel em março deste ano.
Pezeshkian também denunciou o bombardeio de uma escola feminina em Minab, que "matou crianças inocentes".
"Bombardearam uma escola. Olhem para essas crianças, que morreram sob bombas com armas usadas pelos Estados Unidos e por Israel. Elas eram inocentes e não cometeram crime algum", afirmou.
"Não baixamos a cabeça"
O presidente também citou o ataque com mísseis dos EUA contra um complexo esportivo em Lamerd, no Irã, em março de 2016. Segundo ele, pelo menos 21 pessoas morreram e quase 180 ficaram feridas.
"Os Estados Unidos, usando armas com múltiplas ogivas, atacaram aquele complexo esportivo. Mataram nossos cientistas, homens, mulheres e crianças inocentes, que não cometeram nenhum crime", declarou.
Pezeshkian rejeitou as acusações de terrorismo contra Teerã e afirmou que o país apenas se defendeu dos ataques.
"Aqueles que são terroristas, treinam e protegem terroristas nos descrevem como tal. Estávamos apenas nos defendendo. Não somos terroristas", disse.
Ele acrescentou que o Irã resistiu aos ataques dos EUA e de Israel apesar da superioridade tecnológica e militar dos dois países.
"Eles nos atacaram, mas não nos ajoelhamos. Não baixamos a cabeça", afirmou.
"Contra o direito internacional"
Pezeshkian afirmou que a resposta iraniana foi direcionada contra os responsáveis pelos ataques, e não contra a população civil. Segundo ele, os EUA e Israel atingiram universidades, centros de saúde, escolas, hospitais e outras infraestruturas iranianas em ações que classificou como violações do direito internacional.
"Respondemos, mas não atacamos populações civis. Eles vieram para os territórios vizinhos e atacaram nossas universidades, nossos centros de saúde, nossas escolas, nossos hospitais e nossa infraestrutura — tudo contra o direito internacional", declarou.
"Eles estão cometendo genocídio usando as tecnologias à sua disposição. Depois, rotulam os outros como terroristas", disse.
Histórico de paz do Irã
Pezeshkian também contestou as acusações de que o Irã seria responsável pela instabilidade regional. Segundo ele, o país busca apenas independência e não representa uma ameaça à paz.
"Somos nós que causamos instabilidade? Buscamos apenas viver de forma independente. Aqueles que cometem terrorismo e outros crimes são os protetores da paz e da estabilidade? Eles nos rotulam de terroristas?", questionou.
O presidente iraniano afirmou ainda que, nos últimos 200 anos, o Irã não atacou nenhuma nação ou território, ressaltando que o país sempre se limitou a defender-se.
"Agora somos acusados de ser uma fonte de instabilidade na região? Somos rotulados de terroristas?", perguntou.
Ao concluir, Pezeshkian criticou o desrespeito às leis internacionais por parte daqueles que acusam Teerã e defendeu que o Irã deve ter a capacidade de se proteger.
"Precisamos de força. Porque um povo que não consegue se defender será esmagado no mundo de hoje", afirmou.
Segundo ele, os países mais poderosos parecem priorizar a manutenção da ordem vigente em vez de valores como humanidade, justiça e democracia.