
Lavrov: 'Não pausaremos a operação militar especial durante as negociações, independente do formato'

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou que, "tendo aprendido com a experiência amarga", a Rússia não interromperá a operação militar durante as negociações sobre o conflito ucraniano, independentemente do formato das conversas.

As declarções foram feitas durante a Semana de Alto Nível do 81º período de sessões da Assembleia Geral das Nações Unidas.
"Com o mesmo objetivo, bastante simples: ganhar tempo e recompor os arsenais militares esgotados do regime de Kiev, que, levado pelo desespero, há muito recorre abertamente a métodos terroristas", enfatizou o ministro.
Ele destacou que Vladimir Putin reiterou em diversas ocasiões que a Rússia está disposta a negociar para alcançar uma paz duradoura e justa. Lavrov ressaltou que tanto Donald Trump quanto o presidente russo enfatizaram a necessidade de alcançar esse objetivo.
Repor as reservas sob o pretexto de um cessar-fogo
Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrey Sibiga,afirmou que Kiev havia aceitado um "cessar-fogo total, imediato e incondicional". O Kremlin apontou uma contradição entre essa declaração e a retórica de Zelensky.
"Há apenas alguns dias, durante um discurso em um evento, o senhor Zelensky declarou que precisava de mais 40 dias para infligir danos à economia russa. No entanto, suas declarações sobre continuar ou interromper a guerra são contraditórias de um dia para o outro. Esse é o primeiro ponto", disse o porta-voz presidencial russo, Dmitry Peskov, à imprensa.
"Em segundo lugar, o presidente [russo Vladimir] Putin e o lado russo têm sustentado sistematicamente que defendemos uma paz duradoura — uma paz sólida —, e não uma simples trégua que, em essência, não alcançaria nada", acrescentou.
- O presidente russo, Vladimir Putin, tem afirmado em diversas ocasiões que o país está comprometido em buscar uma solução diplomática para a crise ucraniana. Ele ressalta, no entanto, que qualquer acordo deve garantir a segurança da Rússia no longo prazo. Segundo Moscou, isso passa por eliminar as chamadas "causas profundas" do conflito, incluindo a expansão da OTAN, vista pelo Kremlin como uma ameaça, e questões relacionadas aos direitos da população de língua russa na Ucrânia.
- A proposta russa prevê que Kiev retire completamente suas tropas das repúblicas populares de Donetsk e Lugansk, além das regiões de Zaporozhie e Kherson, incorporadas à Rússia após consultas populares em 2022. Também exige o reconhecimento desses territórios, assim como da Crimeia e de Sevastopol, como parte da Federação Russa. Além disso, Moscou defende que a Ucrânia adote um status de neutralidade, sem alinhamento militar, com desmilitarização e desnazificação do país.
- Ao longo do último ano, Rússia e Ucrânia realizaram diferentes rodadas de negociações diretas, além de encontros trilaterais com participação dos Estados Unidos. No entanto, o processo de paz acabou ficando estagnado.

