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Delcy Rodríguez faz primeiro discurso na ONU como presidente encarregada da Venezuela

Um dia antes de voltar ao púlpito, ela realizou uma reunião "histórica" com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Delcy Rodríguez faz primeiro discurso na ONU como presidente encarregada da VenezuelaAP / Frank Franklin II

A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, faz nesta quarta-feira (23) seu primeiro discurso como mandatária perante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

A presidente abriu sua intervenção pedindo que se recorde que Caracas mantém como diretriz "seu compromisso com a paz e a rejeição à violência" e promove, em seu lugar, a prevalência "do diálogo sobre o conflito".

"Acreditamos firmemente no poder do entendimento e do diálogo", afirmou, antes de destacar que a nação bolivariana "defende sem ambiguidades que a paz, que uma paz justa, duradoura, com dignidade para todas as partes, não é uma aspiração ingênua, mas a única saída verdadeiramente humana".

Sobre os desafios econômicos, além de defender modelos de crescimento econômico com justiça social, Rodríguez voltou a questionar os regimes de sanções unilaterais, ao considerar que "minam as liberdades econômicas e financeiras e retardam o desenvolvimento humano".

A isso, acrescentou o que classificou como "o fracasso institucional do comércio global", uma vez que "nenhuma nação pode prosperar sob esquemas supranacionais que não promovam a indústria nacional e premiem a deslocalização".

Energia como chave para estabilidade

Embora tenha destacado que seu país está firmemente comprometido com a proteção dos direitos da natureza, considerou que a energia de origem fóssil representa um fator incontornável para alcançar a "estabilidade internacional".

Nesse sentido, criticou o que chamou de "programas de descarbonização forçada", ao avaliar que eles representam "uma ameaça" a dimensões fundamentais da vida humana, como a segurança alimentar, o emprego e a produção. Em seu lugar, defendeu uma abordagem que permita "garantir simultaneamente a segurança do abastecimento, preços acessíveis e sustentabilidade ambiental".

Agenda multilateral

Há uma década, Rodríguez representou seu país na 71ª Assembleia Geral da ONU como ministra das Relações Exteriores do governo de Nicolás Maduro.

Um dia antes de voltar ao púlpito da ONU, manteve um encontro presencial — que classificou como "histórico" — com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quase nove meses após a incursão armada americana que terminou com o sequestro de Maduro e de sua esposa, a deputada Cilia Flores.

A presidente chegou a Nova York na madrugada de segunda-feira (21). Ao desembarcar na cidade americana, declarou que chegava "com a firmeza e a esperança de um povo que acredita no encontro e na união entre as nações".

Durante a visita à cidade, Rodríguez também se reuniu com o secretário-geral da ONU, António Guterres, com quem discutiu "aprofundar a evolução estratégica da cooperação entre o Governo Bolivariano e o sistema multilateral", informou o Palácio de Miraflores.

Além disso, reuniu-se com a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, assim como com os dirigentes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Banco Mundial (BM), "para impulsionar novas etapas de relacionamento com o sistema financeiro internacional e garantir um trabalho conjunto em benefício do povo venezuelano.

A participação da presidente encarregada na Assembleia Geral ocorre após oito anos de ausência de chefes de Estado venezuelanos no púlpito central do organismo internacional, em um contexto de desconhecimento das instituições da Venezuela por parte de um grupo de países e de recrudescimento das sanções impostas pelos Estados Unidos.

A última vez que um mandatário do país sul-americano discursou perante a ONU foi em 26 de setembro de 2018, quando Maduro participou do debate geral.