Em 19 janeiro de 2025, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez uma viagem de Fort Lauderdale, na Flórida, para Brasília em um jatinho executivo pertencente a uma companhia da qual o ex-banqueiro e dono do liquidado Bando Master, Daniel Vorcaro, figurava entre os sócios, segundo informou uma reportagem da revista piauí na quarta-feira (23).
A publicação comparou os registros de voo de um Legacy 650 de prefixo PP-NLR e descobriu que trata-se do mesmo jato executivo utilizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, e sua esposa, Viviane Barci, em 22 de agosto de 2025, cujas imagens do desembarque no aeroporto Santos Dumont foram divulgadas pelo Globo no domingo (20).
A aeronave pertencia à empresa Prime You, da qual Daniel figurava no seu quadro de sócios até setembro de 2025. Durante a viagem, Flávio Bolsonaro estava acompanhado, além da esposa Fernanda Antunes Figueira e das duas filhas do casal, do advogado Willer Tomaz, que é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto da Polícia Federal (PF), que investiga fraudes bilionárias no desconto de aposentadorias do INSS.
Tomaz já foi preso durante o escândalo da JBS em 2017, mas acabou inocentado. Uma reportagem do Globo de sexta-feira (18) mostrou que ele e Flávio fizeram um safári na África do Sul em março de 2025 juntos com o senador Weverton Rocha (PDT-MA), que também é investigado pelos desvios no INSS.
Formalmente, o jatinho pertencia à empresa Fraction 024, que tinha seu capital dividido em três partes iguais, das quais um terço pertencia a Tomaz; um terço a Laércio Cosentino, fundador da TOTVS; e um terço à já citada Prime You, cota que foi adquirida pelo consórcio de Vorcaro no final de 2024.
Ainda segundo a reportagem da piauí, a viagem dos EUA ao Brasil na época coincidia com as tratativas entre Flávio e Vorcaro para que este financiasse o filme 'Dark Horse', a cinebiografia de do ex-presidente Jair Bolsonaro, pelo que o senador é investigado pelo STF.
Em resposta à reportagem, Willer Tomaz afirmou que, possuindo uma cota da propriedade da aeronave, oferecia lugares a amigos que eventualmente viajavam para o mesmo destino sem cobrar nenhuma contrapartida por isso. Ele declarou ainda que somente em abril daquele ano tomou conhecimento da aquisição de uma cota do jatinho por Vorcaro, após o que teria rompido o contrato com a Prime You e passado a litigar a empresa.