Primeiro-ministro canadense admite ter se preparado para invasão militar dos EUA

As declarações têm como pano de fundo as tensões entre Ottawa e Washington após o colapso das negociações comerciais no mês passado.

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, revelou que, durante o último ano, preparou-se para o "risco extremo" de o presidente norte-americano, Donald Trump, eventualmente ordenar uma ação militar contra o país.

"Penso que, neste cargo, temos a responsabilidade de olhar para os riscos extremos […] Isso é só gestão de risco. Não é um cenário base, mas seria imprudente não se preparar",declarou Carney nesta quarta-feira (23) em entrevista ao The New York Times ao ser perguntado se levava a sério as ameaças de Trump de tornar o Canadá o 51º estado dos EUA.

As declarações têm como pano de fundo as tensões entre Ottawa e Washington após o colapso das negociações comerciais no mês passado.

O primeiro-ministro afirmou ainda que o governo canadense está reduzindo sistematicamente a dependência do Canadá de seu vizinho em tecnologias estratégicas — de satélites espaciais a aviões de combate —, em um esforço para tornar o país muito menos vulnerável às ameaças americanas."

Em particular, Ottawa planeja abandonar completamente a conexão via satélite Starlink, de Elon Musk, e está revisando o contrato de compra de 88 aviões americanos F-35 para possivelmente substituí-los pelos caças suecos Saab Gripen.

No entanto, Carney afirmou que ainda existe um caminho para retomar as negociações com os EUA.

Tensões crescentes