O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta quinta-feira (24) que seu país não deseja uma bomba atômica e que a possibilidade de fabricá-la foi declarada ilegal pelo falecido líder supremo, aiatolá Ali Khamenei.
"De forma alguma. De forma alguma. Nosso estimado líder supremo [Ali Khamenei], agora mártir, anunciou em várias ocasiões — com base em um decreto religioso — que possuir armas de destruição em massa é um ato ímpio, é algo ilícito do ponto de vista religioso. Por que faríamos isso? Será que pretendemos esconder isso?", afirmou o presidente em entrevista à Fox News, ao ser questionado sobre o assunto.
Teerã está disposto a esclarecer qualquer dúvida que exista a esse respeito por meio de novas inspeções e que não pretende ocultar nada relacionado ao seu programa nuclear, segundo Pezeshkian. Contudo, apontou a atitude de Washington, que considerou inadequada para o que exige o cenário internacional, como motivo que impediu que a questão fosse esclarecida.
"Já dissemos que estamos dispostos a diluí-lo – o urânio enriquecido. Não há nenhum problema. Estamos dispostos a nos submeter a processos de verificação. O problema é que os EUA, em vez de optarem pelo diálogo, decidem partir para a ação, bombardeando-nos primeiro e bloqueando todas as vias possíveis. Estamos preparados. Essa não é a maneira de se comportar no cenário mundial", avaliou ele.
Nesse sentido, ao ser questionado diretamente se a República Islâmica abriria mão de seu urânio enriquecido a 60%, Pezeshkian foi enfático: "Sim. No âmbito do direito internacional e com base no Tratado de Não Proliferação — ou em qualquer norma à qual devamos nos submeter —, cumpriremos o estabelecido".
- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em várias ocasiões — a mais recente delas na terça-feira (22), perante a Assembleia Geral da ONU — que decidiu atacar militarmente o Irã porque, caso contrário, o país teria construído uma arma nuclear.
- Contrariando essas alegações, Teerã tem defendido tanto o caráter pacífico de seu programa nuclear quanto o direito soberano de desenvolvê-lo sem interferências de qualquer tipo e em conformidade à legislação internacional.