O Irã condenou nesta sexta-feira (25) a decisão da Colômbia de romper relações diplomáticas e rejeitou as acusações apresentadas por Bogotá para justificar a medida, classificando-as como "infundadas".
Em comunicado divulgado pela agência oficial IRNA, o Ministério das Relações Exteriores iraniano afirmou que a ruptura de vínculos mantidos por mais de meio século contradiz "o princípio do respeito mútuo" e os interesses dos dois povos.
A chancelaria iraniana afirmou que "nenhuma das acusações" apresentadas pelo governo colombiano para fundamentar a decisão é "justificada ou lógica", e sustentou que Bogotá agiu sob influência dos Estados Unidos e de Israel.
Teerã também condenou especificamente as acusações contra parte de suas Forças Armadas, depois que a Colômbia designou o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica como organização terrorista.
O comunicado elevou o tom ao acusar o governo colombiano de estar "fortemente influenciado" pelos cartéis dedicados à produção e distribuição de drogas e de fazer parte de uma rede de "narcoterrorismo" que atua nas Américas e em outras regiões.
Por esse motivo, Teerã afirmou que Bogotá "não está em posição" de dar lições a outros países sobre terrorismo e narcotráfico.
O Irã também classificou as acusações colombianas como uma "tentativa hipócrita de desviar a atenção" e responsabilizou a Colômbia por participar do tráfico de grandes carregamentos de drogas para diferentes partes do mundo, incluindo o território iraniano.
Como exemplo, a chancelaria citou a recente apreensão, em Teerã, de 55 quilos de cocaína procedente da Colômbia, que, segundo sua versão, teria sido introduzida por uma rede vinculada a "pessoas influentes" colombianas.
Rompimento diplomático
Bogotá anunciou na quinta-feira (24) que havia rompido formalmente suas relações diplomáticas com o Irã, com efeito desde 19 de setembro.
A chancelaria colombiana justificou a decisão por razões de "segurança nacional e hemisférica" e citou, entre outros argumentos, supostos vínculos de Teerã com organizações terroristas e grupos narcoterroristas, além de acusações sobre violações de direitos humanos. Os vínculos consulares, no entanto, permanecerão ativos.
Em paralelo, o país anunciou controles mais rígidos para impedir a entrada de pessoas vinculadas ao Corpo de Guardas da Revolução Islâmica.
Teerã advertiu nesta sexta-feira (25) que adotará "as medidas necessárias" para proteger seus interesses nacionais diante do que definiu como uma atitude "injustificada e hostil" do governo colombiano.