Rússia acusa Kiev de 'negociar a soberania' por 'esmolas financeiras do Ocidente'

A porta-voz da chancelaria russa citou déficit de US$ 37,3 bilhões em 2027 e afirmou que Kiev espera US$ 52,6 bilhões da UE, G7, FMI e Banco Mundial.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, acusou nesta sexta-feira (25) o regime de Vladimir Zelensky de trocar a soberania da Ucrânia por financiamento ocidental, ao comentar a dependência de Kiev de recursos externos para cobrir o déficit orçamentário do país.

"A cúpula corrupta em Kiev continua a negociar a soberania em troca de esmolas financeiras do Ocidente às custas dos contribuintes comuns", afirmou Zakharova.

Segundo a porta-voz, o projeto de orçamento ucraniano para 2027 prevê déficit de US$ 37,3 bilhões (R$ 193,5 bilhões) e gastos com defesa equivalentes a 43,8% do PIB, ou US$ 109,6 bilhões (R$ 568,6 bilhões). O montante destinado ao setor militar supera em US$ 11,5 bilhões (R$ 59,7 bilhões) o previsto para 2026, e quase metade deverá ser direcionada a armamentos e equipamentos militares.

Zakharova afirmou que os gastos militares previstos serão nove vezes superiores às despesas sociais e previdenciárias, estimadas em cerca de US$ 12 bilhões (R$ 62,3 bilhões); 15 vezes maiores que os recursos para educação, de aproximadamente US$ 7,3 bilhões (R$ 37,9 bilhões); e 17 vezes superiores ao financiamento da saúde, de cerca de US$ 6,5 bilhões (R$ 33,7 bilhões).

A representante da chancelaria acrescentou que o projeto de orçamento não considera uma falta de US$ 27 bilhões (R$ 140 bilhões) para a defesa anteriormente anunciada por Kiev. Segundo ela, o regime ucraniano espera receber US$ 52,6 bilhões (R$ 272,9 bilhões) da União Europeia e de seus países-membros, do G7, do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial.

Zakharova lembrou ainda que o orçamento da junta de Kiev para 2026 havia sido elaborado com déficit de US$ 45 bilhões (R$ 233,5 bilhões) e afirmou que Kiev vem recorrendo, nos últimos anos, a aportes externos para cobrir suas despesas.

"Os recursos dos doadores estrangeiros não são ilimitados", declarou.

Cobrança por reformas

Zakharova também mencionou uma reunião entre Zelensky e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, realizada em 22 de setembro, em Nova York. Segundo a porta-voz, o líder do regime ucraniano voltou a pedir ajuda e reclamou de um "déficit orçamentário cósmico".

Citando a Bloomberg, Zakharova afirmou que a conversa foi tensa e que representantes da União Europeia disseram a Zelensky que, antes da liberação de financiamento adicional, precisavam ver avanços na adoção de novas normas destinadas a combater a economia "paralela", aumentar a arrecadação tributária e aproximar a legislação da junta de Kiev das regras da União Europeia.

A porta-voz relacionou a situação às dificuldades de Bruxelas para acertar um empréstimo de 90 bilhões de euros (R$ 533 bilhões) e encontrar recursos para financiá-lo.

Nesse contexto, Zakharova recuperou uma declaração feita por Zelensky na Conferência de Segurança de Munique, em 19 de fevereiro de 2022.

"Dê dinheiro incondicional. Por que, cada vez que nos destinam determinadas quantias, vocês exigem de nós uma, duas, três, quatro, cinco, sete, oito, dez reformas?", declarou Zelensky na ocasião.

Segundo Zakharova, a situação não mudou desde então, e os novos aportes financeiros do Ocidente não aumentarão a "margem de segurança" do regime ucraniano.