O presidente dos EUA, Donald Trump, descartou, neste sábado (26), a possibilidade de uma operação militar contra Cuba, afirmando que quer apenas "abrir" a ilha para seu povo. A declaração foi feita nos arredores da Casa Branca, em conversa com jornalistas.
"Eu diria que Cuba e nós chegaremos a um acordo. Não acho que precisemos recorrer à via militar", disse o chefe de Estado à imprensa. "Queremos ajudar Cuba. Queremos abrir Cuba para o nosso povo", acrescentou.
Na sexta-feira (25), oficiais relataram à CBS News, em condição de anonimato, que o Exército dos Estados Unidos avalia preparativos militares relacionados a uma possível ação contra Cuba. Uma mensagem interna analisada pelo veículo indica que as Forças Armadas estudam quantas unidades poderiam disponibilizar ao Comando Sul em um prazo de 90 a 120 dias, sem mencionar diretamente a ilha ou indicar ordens de mobilização.
A informação surge após Trump afirmar na terça-feira (22), em seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), que Cuba é "um Estado falido" que "vai cair" e que Washington busca uma "mudança fundamental" no país.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, rebateu as declarações e afirmou que a mentira é usada por aqueles que se recusam a aceitar o direito do povo cubano à livre determinação.
Cerco dos EUA contra Cuba
- Em 29 de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que declara uma "emergência nacional" diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo a Casa Branca, Cuba representaria para a segurança do país norte-americano e da região. O texto acusa o governo cubano de se alinhar a "numerosos países hostis", de abrigar "grupos terroristas transnacionais" e de permitir o emprego, na ilha, de "sofisticadas capacidades militares e de inteligência" da Rússia e da China.
- Com base nessas alegações, foi anunciada a imposição de tarifas aos países que vendem petróleo à nação caribenha, além de ameaças de represálias contra aqueles que agirem em desacordo com a ordem executiva da Casa Branca.
- A medida ocorre em meio a uma escalada entre Washington e Havana, que tem rejeitado sistematicamente essas alegações e advertido que defenderá sua integridade territorial. O presidente de Cuba respondeu que "esta nova medida evidencia a natureza fascista, criminosa e genocida de uma quadrilha que sequestrou os interesses do povo norte-americano para fins puramente pessoais".
- Em 7 de março, Trump anunciou que "uma grande mudança chegará em breve a Cuba".
- Os EUA mantêm um bloqueio econômico e comercial contra Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que afeta gravemente a economia do país, foi reforçado com numerosas medidas coercitivas e unilaterais.