Durante a reunião com o líder chinês, Xi Jinping, esta semana em Washington, o presidente dos EUA, Donald Trump, propôs iniciar negociações trilaterais de controle de armas nucleares entre Estados Unidos, Rússia e China, informou a Casa Branca na sexta-feira (25).
O líder chinês viajou na quarta-feira (23) à Base Conjunta Andrews, no estado de Maryland, onde foi recebido por Trump no início de sua visita de Estado ao país norte-americano, a primeira em 11 anos. A cúpula durou três dias, e o líder do gigante asiático afirmou ter chegado a um entendimento comum em muitos temas com Trump.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, por sua vez, assinalou que Moscou recebe com satisfação as negociações entre Estados Unidos e China, uma vez que se trata das duas maiores economias do mundo e que o resultado de suas negociações terá repercussões em toda a economia mundial.
Erosão do controle nuclear
Rússia e Estados Unidos estão há mais de seis meses sem qualquer acordo formal em vigor sobre o controle de armamentos nucleares.
O Tratado de Redução de Armas Estratégicas, o Novo START, expirou em 5 de fevereiro deste ano, e, desde então, não houve novas negociações substanciais nesse âmbito.
Durante meses,Moscou defendeu a manutenção das principais restrições do tratado, mas Washington declinou da proposta — e o mundo se encontra agora, pela primeira vez desde a década de 1970, em uma situação que pode ser descrita como um verdadeiro vazio no controle de armas nucleares.
A Rússia sustenta que qualquer novo acordo sobre essa matéria deve levar em conta o equilíbrio estratégico global e, particularmente, o potencial nuclear dos Estados Unidos e de seus aliados da OTAN.
Ao mesmo tempo, a Rússia afirma que estaria disposta a considerar futuros mecanismos de controle de armas caso sejam criadas as condições adequadas e caso esses mecanismos levem em consideração o conjunto das capacidades estratégicas que afetam o equilíbrio da segurança europeia e mundial.
'Alternativa' pouco realista e a posição da China
O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Ryabkov, denunciou anteriormente que "os Estados Unidos saudaram publicamente a 'morte' do tratado, alegando que ele já não atendia às exigências de Washington para esse tipo de acordo, seja em alcance, em limites estabelecidos ou na composição dos participantes".
"Foi proposta uma 'alternativa' pouco realista: supostas negociações multilaterais condicionadas obrigatoriamente à participação da China, apesar da recusa categórica de Pequim", declarou.
"A posição da China sobre eventuais negociações trilaterais de controle de armas nucleares entre China, Estados Unidos e Rússia é clara: as forças nucleares da China e dos Estados Unidos não estão de forma alguma no mesmo nível, e não é justo nem razoável pedir que a China participe de negociações de desarmamento nuclear a esta altura", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do gigante asiático, Lin Jian em fevereiro deste ano.