Chanceler da Rússia concede coletiva de imprensa após discurso na Assembleia Geral da ONU

Lavrov abordou vários temas na coletiva, como a reforma do Conselho de Segurança da ONU, os acontecimentos em Bucha e a negociação sobre a Ucrânia.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, realiza uma coletiva de imprensa neste sábado (26), após discursar na Assembleia Geral da ONU. 

Ele defendeu uma reforma do Conselho de Segurança da ONU que incorpore mais representantes da Ásia, África e América Latina.

Lavrov rejeitou ampliar a presença ocidental: "Não podemos permitir mais assentos para o Ocidente, porque ele já está sobrerrepresentado no Conselho de Segurança da ONU".

O ministro sublinhou que a organização deve se adaptar às novas realidades e se tornar verdadeiramente um centro de harmonia dos interesses de todos os Estados em conformidade com a Carta das Nações Unidas.

Comentário sobre acontecimentos de Bucha 

Lavrov voltou a acusar a Ucrânia e o Ocidente de terem encenado os acontecimentos de Bucha em abril de 2022, questionando a identificação das vítimas e alegando que a ONU não forneceu respostas claras às perguntas da Rússia.

Segundo ele, os corpos exibidos nas imagens teriam sido usados para criar uma narrativa contra Moscou.

A Ucrânia e investigações internacionais, porém, atribuíram as mortes de civis em Bucha às forças russas; a Rússia continua rejeitando essa versão e afirma que o episódio foi uma provocação.

Negociações interrompidas 

Lavrov afirmou que os processos de negociação sobre a Ucrânia foram interrompidos não por Moscou, mas por Kiev e seus parceiros ocidentais. 

Ao relembrar as tentativas de diálogo desde os Acordos de Minsk até as negociações de 2022 em Istambul, Lavrov declarou que "a Rússia não interrompeu os processos de negociação" e acusou a parte ucraniana de não cumprir os acordos. 

Segundo o chanceler russo, em Istambul, a delegação ucraniana apresentou "princípios de solução que nós aceitamos", mas posteriormente o processo foi abandonado. 

Lavrov também afirmou que Boris Johnson e outros líderes europeus contribuíram para que Kiev não assinasse o acordo e optasse pela continuação dos combates. 

Neste dia 22 de setembro, teve início em Nova York a Semana de Alto Nível do 81.º período de sessões da Assembleia Geral da ONU, reunindo chefes de Estado e de governo, ministros e diplomatas de todo o mundo.