
Irã divulga carta aberta ao povo dos EUA e faz apelo: 'Leiam pelo menos uma vez'

A Guarda Revolucionária do Irã dirigiu-se, nesta terça-feira (29), ao povo dos Estados Unidos em uma carta aberta com o objetivo de oferecer uma explicação "direta e genuína" sobre as posições da República Islâmica.

"Decidimos falar com o povo americano de maneira honesta, lógica e genuína", declarou o porta-voz da guarda, o general de brigada Hossein Mohebb, em coletiva de imprensa. Ele pediu aos americanos que lessem o texto "pelo menos uma vez".
A carta destaca a geografia privilegiada dos EUA. Segundo o órgão, o país norte-americano encontra-se em uma situação na qual, por estar situado entre dois oceanos, desfruta de uma forma de segurança natural contra ameaças.
Mohebb ressaltou que os países vizinhos aos EUA não têm capacidade de representar uma ameaça séria para Washington. "Diante dessa realidade, surge a pergunta: qual é o objetivo de instalar 800 bases militares em todo o mundo? E em que se baseia a justificativa econômica e lógica para o gasto de US$ 1,1 trilhão no orçamento militar dos EUA?", questionou.
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O general denunciou que os dirigentes norte-americanos "não pensam em seu povo", visto que há 39 milhões de pessoas no país vivendo abaixo da linha da pobreza.
Ele ressaltou que Teerã não tem qualquer intenção de construir armamento atômico. "O Irã nunca tentou obter uma arma nuclear e está comprometido com isso", afirmou. "O interesse deles é a fragmentação do Irã. O interesse deles é transformar o Irã novamente em um Estado colonial sob seu controle. Eles mesmos sabem que o Irã não tem buscado armas nucleares", acrescentou, referindo-se à administração de Donald Trump.
"Um país querido" em todo o mundo
O porta-voz classificou Trump como um "grande mentiroso" e lembrou que Washington fracassou em sua campanha militar contra o país persa. Ele afirmou que os EUA deveriam abandonar o Oriente Médio, visto que sua presença na região apenas gera insegurança. "O Irã levará novas armas para o campo de batalha se a guerra assumir uma forma diferente", alertou.
Mohebb insistiu que os cidadãos norte-americanos desconhecem o que descreveu como "crimes" cometidos pelo Exército dos EUA, incluindo o bombardeio de escolas, hospitais, universidades, mesquitas e igrejas.
Ele questionou a política externa de Washington, argumentando que, se o governo Trump investisse 10% do que gasta em ataques militares para ajudar nações pobres, os EUA se tornariam "um país querido" em todo o mundo.

