O ministro da Cultura e Turismo da Turquia, Mehmet Nuri Ersoy, anunciou que milhares de peças de cerâmica foram recuperadas de um naufrágio de cerca de 2.100 anos em Adrasan, no distrito de Kumluca, província de Antália, no sul do país. As escavações subaquáticas começaram em 2025,informou na segunda-feira (28) o site TRT Haber.
A carga principal era composta por pratos e tigelas de origem antioquina, produzidos, segundo os pesquisadores, na costa de Rhosus — antigo nome da atual Arsuz, na província de Hatay —, incluindo pratos para castanhas, tigelas para sopa, pratos para peixe e bandejas de vários tamanhos, num total de 122 formas e dimensões diferentes.
A importância histórica das cerâmicas de Arsuz é reforçada pelo fato de aparecerem na correspondência de Cícero: uma carta de 50 a.C. ao amigo Ático. O orador romano relata ter encomendado vasos de cerâmica de Rhosus para ele, o que mostra que esses produtos eram conhecidos e preferidos no mundo romano.
As peças chegaram até hoje em bom estado graças a um método de acondicionamento. Antes de serem colocadas em caixas de madeira, os espaços entre elas eram preenchidos com argila, o que evitou que se quebrassem durante o naufrágio — e, no local, também foram encontradas ânforas provavelmente produzidas em algumas ilhas do Egeu, além de moedas de origem antioquina do século I a.C., segundo a agência Anadolu.
A hipótese dos pesquisadores é que o navio tenha partido de Arsuz e seguido uma rota comercial que ligava a região a centros do Egeu, à Grécia e à costa italiana, provavelmente com Roma entre os destinos, mas tenha atingido uma área rasa durante uma tempestade e afundado. As escavações continuam no local com o apoio de robôs subaquáticos.