Kremlin esclarece alerta nuclear da Rússia à OTAN

O porta-voz do Kremlin destacou que o alerta de Moscou sobre a possibilidade de usar armas nucleares caso Kaliningrado seja bloqueada não deve ser interpretado como uma ameaça de confronto.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou nesta quinta-feira (1) que o alerta de Moscou sobre a possibilidade de usar armas nucleares caso Kaliningrado seja bloqueada não deve ser interpretado como uma ameaça de confronto.

Peskov se referia a declarações do secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, que afirmou na quarta-feira que a aliança recebeu um alerta de que a Rússia estaria preparada para usar todo o seu arsenal, incluindo armas nucleares, caso seja imposto um bloqueio aéreo ou naval a Kaliningrado.

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"Provavelmente não é correto interpretar a carta e as declarações mencionadas como uma postura de confronto", disse Peskov a jornalistas.

O porta-voz também citou o histórico discurso do presidente russo, Vladimir Putin, em Munique, em 2007. Segundo Peskov, na época, o pronunciamento também foi interpretado no Ocidente como uma declaração de confronto.

Ele afirmou, porém, que Putin havia defendido a cooperação e o diálogo, ao mesmo tempo em que alertava para o aumento das tensões e das divergências.

Advertência aos "cabeças quentes" na Europa

Anteriormente, foi noticiado que as embaixadas da Rússia na Bélgica, no Reino Unido e na Irlanda alertaram recentemente a OTAN sobre a possível resposta de Moscou a qualquer tentativa de afetar Kaliningrado, situado na costa do Mar Báltico, entre a Polônia e a Lituânia. Elas ressaltaram que o lado russo está disposto a utilizar todo o seu arsenal, inclusive armas nucleares, caso forças europeias tentem bloquear o enclave.

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Nesse contexto, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, aconselhou os políticos europeus a estudarem os documentos doutrinários da Rússia antes de empreenderem qualquer ação agressiva contra Kaliningrado.

"Ouvimos repetidamente declarações provenientes da Polônia e de outros países europeus — declarações bastante desequilibradas — nas quais também se abordava a questão de Kaliningrado. Por isso, é perfeitamente natural que nossos diplomatas tentem lembrar aos 'cabeças quentes' na Europa quais são os nossos documentos doutrinários a esse respeito", disse ele aos jornalistas.