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Economista do Goldman Sachs revela impacto que eleições podem ter nas relações Brasil-EUA

Segundo Alberto Ramos, polarização e discurso sobre soberania tendem a perder força após as urnas, enquanto tarifas, segurança e política fiscal estarão entre os principais desafios do próximo governo.
Economista do Goldman Sachs revela impacto que eleições podem ter nas relações Brasil-EUATon Molina/Getty Images/ Chip Somodevilla/Getty Images/Reprodução/YouTube

As relações entre Brasil e Estados Unidos podem entrar em uma fase de menor tensão após as eleições brasileiras, independentemente de quem vencer a disputa, avalia Alberto Ramos, diretor e chefe de pesquisa econômica para a América Latina do Goldman Sachs. A entrevista foi publicada pelo Valor Internationa nesta quinta-feira (1º).

"Existe uma agenda importante na relação entre o Brasil e os Estados Unidos", disse Ramos, citando as tarifas e os esforços conjuntos para combater grupos criminosos transfronteiriços.

Para o economista, a polarização eleitoral tende a perder força depois da definição do novo governo.

"Não está no seu melhor momento" afirma Ramos sobre a relação entre os dois países.

Segundo ele, porém, a disputa eleitoral e o discurso sobre soberania tendem a perder espaço depois das urnas.

"Toda aquela energia eleitoral, polarização e conversa sobre soberania passam. As coisas ficam um pouco mais calmas", afirmou.

Relação com os EUA

Ramos avalia que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderia produzir maior alinhamento com a Casa Branca, especialmente em temas de segurança e "compartilhamento de informações".

"Também poderá haver maior afinidade política, mas acho que, no fim das contas, isso não muda muita coisa", complementou.

O economista também considera que o cenário pode ficar mais ameno após as eleições, inclusive em caso de uma eventual reeleição de Lula.

No mercado financeiro, entretanto, a principal preocupação com a eleição brasileira está na política fiscal do próximo governo.

Ramos afirma que investidores acompanham a disputa porque os dois candidatos representam trajetórias econômicas potencialmente diferentes.

"Se o mercado estivesse convencido de quem vai ganhar, o preço estaria muito mais alto ou muito mais baixo, mas não estaria onde está", disse.

Segundo Ramos, o maior desafio será a capacidade do vencedor de apresentar uma estratégia fiscal considerada crível pelo mercado.

"Essa é a preocupação número um, dois e três. É um problema que precisa ser resolvido o mais rápido possível", afirmou.