As relações entre Brasil e Estados Unidos podem entrar em uma fase de menor tensão após as eleições brasileiras, independentemente de quem vencer a disputa, avalia Alberto Ramos, diretor e chefe de pesquisa econômica para a América Latina do Goldman Sachs. A entrevista foi publicada pelo Valor Internationa nesta quinta-feira (1º).
"Existe uma agenda importante na relação entre o Brasil e os Estados Unidos", disse Ramos, citando as tarifas e os esforços conjuntos para combater grupos criminosos transfronteiriços.
Para o economista, a polarização eleitoral tende a perder força depois da definição do novo governo.
"Não está no seu melhor momento" afirma Ramos sobre a relação entre os dois países.
Segundo ele, porém, a disputa eleitoral e o discurso sobre soberania tendem a perder espaço depois das urnas.
"Toda aquela energia eleitoral, polarização e conversa sobre soberania passam. As coisas ficam um pouco mais calmas", afirmou.
Relação com os EUA
Ramos avalia que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderia produzir maior alinhamento com a Casa Branca, especialmente em temas de segurança e "compartilhamento de informações".
"Também poderá haver maior afinidade política, mas acho que, no fim das contas, isso não muda muita coisa", complementou.
O economista também considera que o cenário pode ficar mais ameno após as eleições, inclusive em caso de uma eventual reeleição de Lula.
No mercado financeiro, entretanto, a principal preocupação com a eleição brasileira está na política fiscal do próximo governo.
Ramos afirma que investidores acompanham a disputa porque os dois candidatos representam trajetórias econômicas potencialmente diferentes.
"Se o mercado estivesse convencido de quem vai ganhar, o preço estaria muito mais alto ou muito mais baixo, mas não estaria onde está", disse.
Segundo Ramos, o maior desafio será a capacidade do vencedor de apresentar uma estratégia fiscal considerada crível pelo mercado.
"Essa é a preocupação número um, dois e três. É um problema que precisa ser resolvido o mais rápido possível", afirmou.