Adeus, jantares com amigos em casa: por que as pessoas pararam de receber visitas?

A socialização despencou nas últimas décadas, com quedas acentuadas em jantares, visitas e eventos comunitários, enquanto o uso da internet e videogames disparou.

Nos Estados Unidos, até 1975, metade dos americanos dizia receber convidados em casa todos os meses, mas esse hábito entrou em colapso nas décadas seguintes. De 1975 a 1998, a parcela de pessoas que dava ou participava de jantares mensais caiu pela metade, e o número dos que nunca recebiam ninguém triplicou, informou o The Atlantic nesta quinta-feira (1º).

O sociólogo Robert Putnam previu em 2000 que, se a tendência continuasse, a prática de visitar amigos poderia desaparecer em menos de uma geração. Infelizmente, a previsão se confirmou: uma geração depois, os encontros sociais ficaram ainda mais raros.

Para atualizar os dados sobre a sociedade americana, o grupo Data for Progress repetiu em 2026 as perguntas da pesquisa DDB Needham, usada por Putnam.

O resultado mostrou quedas de dois dígitos em quase todas as atividades sociais entre 1995 e 2026, divulgou a Data for Progress nesta terça-feira (29).

Os dados de longo prazo revelam uma queda ainda mais acentuada. Entre 1975 e 2026, a parcela de americanos que recebiam convidados em casa pelo menos 12 vezes por ano despencou de 42% para 12%.

Jogos regulares de cartas ou tabuleiro caíram de 39% para 13%, jantares formais recuaram de 16% para 6%, e a proporção de pessoas que terminavam de ler um livro caiu de 37% para 15%. Já a frequência a igrejas ou locais de culto recuou de 74% em 1995 para 54% em 2026.

Por outro lado, algumas atividades cresceram: o uso da internet saltou de 8% para 98%, os videogames caseiros subiram de 19% para 42%, e a frequência a aulas de exercício aumentou de 18% para 32%.

A conclusão é que os americanos estão cada vez mais isolados, trocando encontros presenciais por telas e atividades solitárias. Esse declínio preocupa especialistas, pois afeta a saúde mental e o senso de comunidade.

Entre as principais causas estão a ascensão da internet e dos videogames, que substituíram o convívio presencial; o aumento das jornadas de trabalho e do estresse urbano; e o enfraquecimento de espaços comunitários tradicionais, como igrejas, clubes e associações de bairro.