
Líder africano declara que o país 'nunca aceitará, sob nenhuma circunstância' a presença israelense

A Somália "nunca aceitará, sob nenhuma circunstância", a presença de Israel em seu território, afirmou o presidente da república, Hassan Sheikh Mohamud, em entrevista à Al Jazeera.
Mohamud assegurou que Tel Aviv planeja estabelecer uma base naval no porto de Berbera, na Somalilândia (região separatista oficialmente pertencente à Somália), além de ocupar o aeroporto da cidade.
Berbera fica na costa do Golfo de Aden, em frente ao Iêmen e perto do estratégico Estreito de Bab el-Mandeb.

Mohamud apontou que Israel como uma "força desestabilizadora" e afirmou que o objetivo do país seria aproximar-se dos Estados do Golfo e do Irã, enquanto suas movimentações na região fazem parte do projeto do "Grande Israel" de se apropriar de territórios além de suas fronteiras.
O presidente também criticou o reconhecimento da Somalilândia por parte de Israel em dezembro de 2025, quando o país se tornou o primeiro a fazê-lo.
- A Somalilândia declarou-se independente da Somália em 1991, mas sua independência autoproclamada nunca foi reconhecida pela comunidade internacional, e a Somália continua a considerá-la parte de seu território nacional.
- As divergências com a Somalilândia decorrem principalmente do passado colonial: a Somalilândia é fruto da atuação dos colonizadores britânicos, que, em sua rota para a Índia, atravessavam esse território para evitar confrontos com os franceses — estabelecidos no Djibuti — e com os italianos, cuja zona de influência era a Somália. Britânicos e italianos aplicavam políticas opostas nas áreas colonizadas, dando origem a concepções divergentes sobre a África.
