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Flávio Bolsonaro supera desempenho de Jair em 2018 e disputará segundo turno contra Lula; o que esperar?

Resultado coloca o Brasil no centro da guinada à direita que vem alterando o mapa político da América Latina; avanço também aparece na eleição para o Senado.
Flávio Bolsonaro supera desempenho de Jair em 2018 e disputará segundo turno contra Lula; o que esperar?Buda Mendes/Ricardo Moreira

Flávio Bolsonaro (PL) chega ao fim do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, neste domingo (4), à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e garante uma vaga no segundo turno, em um resultado que confirma a força eleitoral do bolsonarismo e coloca o Brasil diante de uma disputa decisiva em meio à guinada da direita na América Latina.

Com 99,10% das urnas apuradas, Flávio aparece com 47,20% dos votos válidos, enquanto Lula tem com 44,96%.

A votação representa um desempenho ainda superior ao obtido por Jair Bolsonaro no primeiro turno de 2018, quando o então candidato, que viria a ser eleito, do PSL alcançou 46,03% dos votos válidos contra o petista Fernando Haddad, com 29,28%.

O resultado brasileiro ocorre em um momento de avanço de governos de direita na região. Desde 2025, Chile, Bolívia e Equador elegeram presidentes de direita, enquanto em 2026 a Colômbia também passou por uma mudança de orientação política.

A vitória de candidatos conservadores no Peru e na Colômbia ampliou um movimento que já havia sido impulsionado por Javier Milei na Argentina e José Antonio Kast no Chile. As vitórias recentes deixavam, até então, Brasil e Uruguai entre os principais governos progressistas da América do Sul.

Onda azul no Senado

A eleição para o Senado reforça a dimensão da mudança. Em São Paulo, duas candidaturas identificadas com a direita, Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), conquistaram as vagas e deixaram de fora nomes que apareciam competitivos nas pesquisas, como Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede).

Na última pesquisa Datafolha antes da votação, os quatro estavam tecnicamente empatados: Derrite e Prado tinham 22% dos votos válidos, Marina 21% e Tebet 20%. No resultado apurado, Derrite terminou com 30,61% e Prado com 29,28%, enquanto Tebet ficou em 19,22% e Marina em 18,11%, com 95,44% das urnas apuradas.

Outro resultado expressivo ocorreu no Distrito Federal, onde a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas do PL, conquistaram as duas vagas ao Senado. 

Outro exemplo é o Rio de Janeiro, onde Douglas Ruas (PL), que aparecia com 40% dos votos válidos na última pesquisa Quaest, chegou a 49,94% com 85% das urnas apuradas. 

Segundo turno

Para o segundo turno, a principal questão passa a ser o destino dos votos dos candidatos que ficaram pelo caminho. São eles Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante). 

Esses eleitores, somados aos votos brancos, nulos e aos que ainda não definiram sua escolha, formam uma parcela central da disputa que começa agora.

Lula terá de buscar espaço entre os eleitores que votaram em candidatos de direita ou de centro-direita no primeiro turno, incluindo os segmentos ligados a Caiado, Cury e Renan Santos. Flávio, por sua vez, terá de consolidar o eleitorado que já se identificou com o bolsonarismo e ampliar sua votação para além desse núcleo.

Enquanto isso, o segundo turno brasileiro passa a ser observado como parte de uma transformação política que vem atravessando a América Latina. O resultado de 25 de outubro indicará se o Brasil seguirá a tendência regional de mudança à direita ou se manterá no campo político que, ao lado de outros poucos governos sul-americanos, ainda resiste à onda conservadora que avançou pelo continente nos últimos dois anos.