O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (5) que ficou "decepcionado" com o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (4), quando terminou atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Em reunião de articulação política, Lula disse que esperava vencer a disputa já na primeira etapa, mas afirmou estar convencido de que pode ser eleito no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
"Vocês acham que não fiquei decepcionado? Toda eleição eu fico decepcionado. Porque todas eu quero ganhar no primeiro turno", declarou. Na votação, Flávio terminou na primeira colocação, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Quem é o sistema
Ao avaliar o resultado, Lula classificou a candidatura adversária como uma representação do sistema político, apesar de se apresentar, segundo ele, como uma alternativa antissistema. "Tivemos um candidato que ganhou as eleições, antissistema, e ele é a cara do sistema. Ele é a cara do sistema", afirmou em referência a Jair Bolsonaro, eleito em 2018, pai de Flávio. Em seguida, disse que a campanha petista precisa explicar essa contradição aos eleitores.
"Só temos um candidato antissistema. Que somos nós", declarou Lula, que também criticou o que chamou de "promiscuidade" na Suprema Corte. A fala ocorre no início da preparação para o segundo turno, no qual os dois candidatos mais votados no domingo voltam a se enfrentar.
Histórico eleitoral
O presidente também recorreu ao histórico eleitoral para afirmar que o resultado do primeiro turno não determina o desfecho da disputa. Lula lembrou a eleição de 2006, quando enfrentou Geraldo Alckmin, então candidato do PSDB, no segundo turno. "Eu cresci 12 milhões de votos e o Alckmin perdeu 4 milhões de votos", afirmou, ressaltando que o cenário atual é diferente.
"Quero dizer a vocês que estou convencido que não há nenhuma razão para que eu não seja eleito presidente da República no segundo turno. Não há nenhuma razão econômica, social ou política", disse Lula.
Na avaliação do presidente, a disputa deverá ser centrada nas diferenças entre os dois candidatos, seus históricos e seus programas. "Acho que essa eleição vamos ganhar colocando mais uma vez o que é a verdade desse país, a biografia de um candidato, a biografia do outro, o que um pensa de programa e o que outro pensa de programa", afirmou.
"Herdeiro do fascismo"
Lula também disse que a campanha terá cerca de 20 dias para apresentar aos eleitores as diferenças entre os projetos em disputa. Em outro trecho, afirmou que será necessário "desnudar o que estará por trás da eleição de um possível herdeiro do fascismo nesse país", em referência à candidatura de Flávio Bolsonaro.
Outro ponto destacado pelo presidente foi a abstenção. Segundo dados do TSE, 21,08% dos eleitores aptos não compareceram às urnas no primeiro turno. Lula afirmou que a campanha precisa entender as razões que levaram parte do eleitorado a não votar e recuperar o interesse pela participação eleitoral.
"São 30 milhões de pessoas que não foram votar. O que aconteceu com essas pessoas? Eles não foram convencidos? Eles não gostam dos candidatos?", questionou. Para Lula, a ausência não necessariamente representa uma preferência por uma terceira via, já que nenhum candidato alternativo conseguiu se aproximar dos dois primeiros colocados.
"Possivelmente tem uma causa, o desinteresse. E a responsabilidade é nossa, devolver o interesse em participar do processo eleitoral. É simples assim", concluiu.
A diferença entre Flávio e Lula no primeiro turno foi de pouco mais de 2,2 milhões de votos. O senador obteve 56,1 milhões de votos, enquanto o presidente recebeu 53,9 milhões. O segundo turno será realizado em 25 de outubro.