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Uma dinastia em formação? Como os Bolsonaros consolidaram seu domínio na direita brasileira mesmo com Jair preso

Com Flávio garantido no segundo turno e quatro familiares eleitos para o Congresso, os Bolsonaros ampliaram sua presença institucional e mostraram que a influência do grupo não depende mais apenas da candidatura do patriarca da família.
Uma dinastia em formação? Como os Bolsonaros consolidaram seu domínio na direita brasileira mesmo com Jair presoRT

Após os resultados das eleições de domingo (4), ficou claro para toda a classe política do Brasil que a força política dos Bolsonaros não ficou restrita ao desempenho de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial.

Mesmo com Jair Bolsonaro preso e inelegível, quatro integrantes de sua família foram eleitos para o Congresso, o PL (Partido Liberal) ampliou sua presença no Legislativo e candidatos apoiados diretamente por Flávio conquistaram mais da metade das cadeiras do Senado que estavam em disputa.

O resultado indica que o bolsonarismo pode estar passando de uma liderança concentrada em Jair Bolsonaro para uma estrutura política mais ampla, com família, partido e aliados ocupando diferentes espaços de poder.

Flávio Bolsonaro chegou ao segundo turno presidencial na liderança, com 47,05% dos votos válidos, contra 45,14% de Luiz Inácio Lula da Silva.

Ao mesmo tempo, Michelle Bolsonaro e Carlos Bolsonaro foram eleitos para o Senado, enquanto Jair Renan Bolsonaro e Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente, conquistaram vagas na Câmara.

Predominância bolsonarista

O alcance da influência de Flávio Bolsonaro aparece de forma mais clara no Senado.

Dos 54 nomes eleitos no domingo, 30 receberam apoio do filho do ex-presidente, segundo informa o Metrópoles.

O grupo inclui 19 candidatos do PL e outros 11 de diferentes partidos, o que mostra que a influência bolsonarista não ficou restrita à legenda de Jair Bolsonaro.

O resultado também chama atenção quando comparado ao desempenho dos candidatos apoiados por Lula.

A publicação também aponta que nomes apoiados pelo presidente Lula conquistaram 17 das 54 cadeiras em disputa.

Como os Bolsonaros consolidaram sua força

A consolidação política dos Bolsonaros não ocorreu apenas pela transferência de votos de Jair Bolsonaro para Flávio.

A estratégia envolveu a ocupação simultânea de diferentes espaços da política brasileira, com integrantes da família disputando cargos distintos, o fortalecimento do PL e a formação de uma rede de aliados fora do próprio clã.

Essa estrutura também encontrou sustentação em uma base eleitoral formada por diferentes grupos que passaram a se identificar com pautas defendidas pelo bolsonarismo.

Questões como costumes, religião, a resistência à legalização do aborto, segurança pública e oposição ao PT ajudaram a aproximar parte desses eleitores da família Bolsonaro, criando uma conexão que vai além da candidatura de um único integrante.

A força dessa identificação pode ser observada em diferentes características do eleitorado.

Pesquisa Datafolha divulgada em outubro de 2026 mostrou Flávio Bolsonaro com 52% das intenções de voto entre os evangélicos, contra 26% de Luiz Inácio Lula da Silva.

O recorte ajuda a dimensionar a proximidade eleitoral entre o candidato bolsonarista e esse segmento religioso.

Pesquisa PoderData de 2026 apontou que 68% dos brasileiros eram contrários à legalização do aborto, enquanto 22% eram favoráveis.

O levantamento não permite afirmar que todos os eleitores contrários à legalização do aborto apoiem os Bolsonaros, o dado ajuda a dimensionar o tamanho de uma posição que faz parte do discurso defendido pela família.

Essas características ajudam a explicar como os Bolsonaros conseguiram construir uma base política capaz de sobreviver à ausência de Jair Bolsonaro da disputa eleitoral.

Alexandre de Moraes

Outro elemento que pode ter contribuído para fortalecer o discurso bolsonarista durante a campanha foi a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF).

As revelações sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro no caso do Banco Master provocaram uma crise dentro da própria Corte e levaram a um confronto público entre Moraes e o ministro André Mendonça.

Reportagens publicadas durante a campanha de Flávio apontaram que a crise no Supremo passou a integrar aestratégia da oposição e ajudou a alimentar um discurso de crítica à atuação do Judiciário.

Não é possível, porém, estabelecer apenas a partir desses episódios uma relação direta de causa e efeito com o resultado das urnas.

O que os acontecimentos mostram é que o desgaste em torno do STF ofereceu ao bolsonarismo um tema adicional para mobilizar eleitores que já demonstravam desconfiança em relação ao Judiciário e oposição ao campo político associado a Lula.