Morre Jim Baker, televangelista envolvido em escândalos sexuais e fraudes

O televangelista que atraía 13 milhões de espectadores por dia e acabou condenado por fraude morreu aos 86 anos.

O televangelista Jim Bakker morreu nesta segunda-feira (5) aos 86 anos. Ele construiu um império de televisão cristã em torno do bem-sucedido programa de TV "The PTL Club"(Praise The Lord ou Louvado seja o Senhor), e que ruiu após um escândalo sexual, acusações de crimes financeiros e prisão. 

A esposa dele, Lori Bakker, anunciou a morte em um comunicado na conta oficial de Jim Bakker no Instagram.  

Ela não divulgou a causa nem o local da morte. Em 2020, Bakker sofreu o que foi descrito como um derrame leve. 

 "Ele foi um pioneiro da televisão cristã, mas para mim, ele foi meu marido, meu melhor amigo e o homem ao lado do qual tive a honra de caminhar em tantas fases da vida e do ministério", disse ela. 

Nas décadas de 1970 e 1980, Bakker e sua primeira esposa, Tammy Faye Bakker, atraíam até 13 milhões de telespectadores por dia e angariavam receita anual de até 129 milhões de dólares.  

Os gastos eram tão extravagantes e os pedidos de doações tão insistentes que críticos apelidaram a PTL de "Pass the Loot" (Passe a grana). 

A queda do império 

O mundo dos Bakker desmoronou em 1987, quando veio à tona que, em 1980, aos 40 anos, ele havia tido relações sexuais com uma secretária de 21 anos em seu ministério das Assembleias de Deus. 

A mulher, Jessica Hahn, denunciou que foi vítima de estupro. Bakker negou a acusação. Ainda assim, em 1985, tentou comprar o silêncio dela desviando 265 mil dólares do cofre da PTL.

Em 1988 Bakker foi indiciado por 24 acusações de fraude e conspiração. No julgamento, promotores federais o acusaram de ter lesado os fiéis da PTL em 158 milhões de dólares com ofertas de férias vitalícias impossíveis de cumprir, além de desviar 3,7 milhões para o luxo do casal.  

Bakker foi condenado a 45 anos de prisão, pena que acabou sendo reduzida. Em 1994, após cinco anos, ele foi libertado.  

Nova etapa

Jim Bakker voltou ao ministério após cumprir a pena e, em 2003, lançou "The Jim Bakker Show" com Lori Bakker, com quem se casou em 1998. 

O programa tinha uma mensagem voltada ao "survivalismo", e Bakker montou um novo negócio promovendo suplementos sem regulação.

Em 2021, ele e sua igreja resolveram judicialmente uma ação  do estado de Missouri, que o acusava de afirmar falsamente que o suplemento Silver Solution curava a Covid.