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O avanço dos houthis que os americanos previam: por que aliados não moveram um dedo?

O Pentágono alertou a Arábia Saudita por meses sobre ameaça do grupo rebelde, mas reino não interviu quando grupo tomou região costeira em setembro, reinflamando a guerra civil iemenita para uma nova fase no arranjo de forças.
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Os Estados Unidos estavam cientes dos planos dos houthis de assumir o controle do Estreito de Bab el-Mandeb, mas a Arábia Saudita permaneceu passiva enquanto os rebeldes iemenitas realizavam a operação, segundo reportagem do jornal americano The New York Times publicada na terça-feira (6).

O movimento rebelde, oficialmente denominado Ansar Allah, conquistou o controle da costa do Mar Vermelho do Iêmen em uma única noite caótica, na passagem de 9 a 10 de setembro, desencadeando uma nova fase da guerra civil iemenita e provocando a retirada frenética das forças governamentais apoiadas pela Arábia Saudita.

  • A conquista de pontos estratégicos, como a cidade de Mocha, reforçou o controle do grupo sobre a artéria marítima fundamental para o transporte de petróleo e mercadorias entre a Europa e a Ásia, reposicionando o arranjo de forças na disputa doméstica com o governo iemenita e ampliando sua projeção internacional ao aumentar sua capacidade de pressionar potências regionais como a Arábia Saudita e as cadeias globais de combustíveis.

O avanço explorou divisões internas entre facções governamentais que controlavam áreas montanhosas, incapazes de cooperar efetivamente. O governo perdeu cerca de 1.800 milhas quadradas de território. Pelo menos 500 combatentes morreram e mais de 1.500 ficaram feridos.

Nos meses anteriores à derrota, o tenente-general Tareq Saleh, comandante do governo internacionalmente reconhecido do Iêmen, alertou repetidamente autoridades sauditas e americanas sobre os planos houthis de alcançar o estreito, por onde passa 10% do comércio mundial, conforme três autoridades iemenitas.

Saleh solicitou cobertura aérea aos sauditas e guerra eletrônica aos americanos contra comunicações houthis, mas recebeu apoio limitado de ambos.

Por sua vez, o Pentágono e agências de inteligência dos EUA haviam advertido o reino saudita durante meses sobre a ameaça ressurgente dos rebeldes, oferecendo assistência tão somente com planejamento e inteligência sobre movimentos de tropas; esclarecendo que não realizaria ataques aéreos.

Permanecem obscuras as razões pelas quais a Arábia Saudita — equipada com caças e bombas americanas — não interveio.

  • A escalada entre o reino saudita e o movimento Houthi começou em julho e, na prática, pôs fim à frágil trégua que mantinha congeladas as linhas de frente no Iêmen desde 2022. Os Houthis aumentaram a pressão sobre a Arábia Saudita e ampliaram as ações contra alvos ligados ao país, enquanto os sauditas intensificavam suas operações militares no Iêmen.
  • A Arábia Saudita iniciou uma campanha de bombardeios na segunda-feira (5), nomeada de "Operação Amanhecer do Iêmen" para ajudar o governo a recuperar território perdido, com assistência americana em inteligência militar e identificação de alvos.