'Menos gastos com porta-aviões e mais recursos para a educação': estudantes franceses protestam por melhorias

Professores também apoiam as pautas dos estudantes, confirmando que as atuais condições tornam impossível trabalhar tanto no ensino fundamental quanto no ensino médio.

Milhares de estudantes e professores foram às ruas de Marselha, na França, na terça-feira (6) convocados por sindicatos estudantis para exigir melhores condições nos centros educacionais.

Os jovens denunciaram os gastos militares enquanto que os recursos para a educação são escassos, com infraestrutura deteriorada e horários exaustivos.

"Da minha parte, eu exigiria parar de gastar dinheiro com porta-aviões nucleares e que começássemos a investir na juventude", afirmou à RT um dos estudantes presentes na manifestação.

O jovem descreveu situações alarmantes: escolas sem ar condicionado no verão ou aquecimento no inverno, caldeiras danificadas há anos e dias letivos que se estendem até às 19h30.

"Há escolas com mofo nas paredes, falta professores, há alunos como eu que terminam as aulas às 19h30. Não é normal chegar em casa depois dos nossos pais, não é normal ter mais trabalho do que um adulto", destacou, acrescentando que até mesmo as escolas particulares enfrentam essas deficiências.

Outra aluna descreveu condições que chamou de "catastróficas": falta de enfermeiras, obrigando os professores a atender emergências médicas; tetos desabando, banheiros quebrados que não foram consertados desde o início do curso e uma significativa escassez de professores.

Reclamações de professores

Os professores também compareceram para apoiar os alunos, confirmando que as atuais condições tornam impossível o trabalho tanto no ensino fundamental quanto no médio. Uma professora de educação infantil destacou que as reivindicações dos alunos são as mesmas que os professores vêm fazendo "há muito tempo".

"Trata-se principalmente de ter mais recursos para que haja mais professores . Se houver mais professores, haverá menos alunos por turma", argumentou, acrescentando que alguns prédios estão muito próximos de se tornarem insalubres.