A França atravessa uma nova onda de protestos estudantis que se espalha por todo o país. Os bloqueios de escolas e universidades têm sido acompanhados de confrontos, incêndios e atos de violência, enquanto centenas de centros educacionais permanecem fechados.
Ao mesmo tempo, a mobilização se tornou um novo cenário da batalha política a seis meses das eleições presidenciais de 2027.
Ascensão da esquerda
As principais forças políticas buscam capitalizar uma situação que pôs a educação e a ordem pública no centro do debate eleitoral. Entre os que ganharam destaque está Jean-Luc Mélenchon, líder do partido França Insubmissa da extrema esquerda.
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Os estudantes e os jovens constituem um dos principais grupos de apoio de Mélenchon. O político classificou os protestos como o movimento juvenil e estudantil mais potente desde 1968 e negou as acusações de que seu partido esteja por trás das mobilizações.
Sua posição também se liga às suas propostas para a educação. Mélenchon defende mais recursos para o ensino público, menos alunos por turma e melhores condições para professores e estudantes.
As propostas coincidem com as principais reivindicações dos manifestantes, que apontam falta de professores, turmas lotadas e prédios escolares deteriorados.
De acordo com as sondagens citadas nas análises eleitorais mais recentes, Mélenchon aparece atrás de Marine Le Pen e à frente dos principais candidatos de centro, o que lhe permitiria chegar ao segundo turno. Esse cenário colocaria frente a frente os dois extremos do espectro político francês.
Consolidação da direita
Paradoxalmente, os protestos também podem fortalecer a posição de Marine Le Pen e do seu partido, o Rassemblement National.
A líder acusou a esquerda de fomentar os distúrbios e pediu uma resposta mais firme contra a violência. Seu discurso enfatiza a segurança e a restauração da ordem nas escolas.
Em matéria de orçamento, Le Pen tem posição diferente da de Mélenchon. A líder do Rassemblement Nationaldefende reduzir o déficit e cortar gastos estatais, mas garante que não pretende diminuir o gasto com educação. Entre as rubricas que quer cortar estão, particularmente, custos com imigração e benefícios a não cidadãos franceses.