Taiwan recebe seus primeiros F-16V apenas uma semana após a cúpula Xi-Trump

Apesar dos apelos de Pequim, Washington continua mantendo sua política de "ambiguidade estratégica" em relação à ilha e enviando armamentos para Taiwan.

Taiwan recebeu, em outubro, os dois primeiros caças F-16V Block 70 dos 66 adquiridos dos Estados Unidos, segundo informações divulgadas pela imprensa chinesa na última sexta-feira (2). Aoperação faz parte de um acordo aprovado por Washington em agosto de 2019, durante o primeiro mandato de Donald Trump, no valor de aproximadamente 7,8 bilhões de dólares (cerca de 40,50 bilhões de reais).

Inicialmente, as duas aeronaves deveriam chegar a Taiwan no final de agosto. No entanto, permaneceram no Havaí e chegaram cerca de um mês depois. As autoridades taiwanesas atribuíram o atraso, entre outros fatores, à transferência e à retomada da linha de produção, além de interrupções na cadeia de suprimentos.

Entregas apesar das negociações com Pequim

A entrega dos F-16V ocorreu apenas uma semana após a visita de Estado de Xi Jinping aos Estados Unidos, realizada entre os dias 23 e 25 de setembro. O presidente da China aproveitou o encontro com Trump para exigir que Washington tratasse a questão de Taiwan com "prudência", segundo a imprensa chinesa.

Nesse contexto, um pacote separado de armas para Taipei, no valor de cerca de 14 bilhões de dólares (cerca de 69,8 bilhões de reais), que já havia passado por uma análise informal no Congresso dos Estados Unidos, continua aguardando a aprovação presidencial.

"Isso não diz respeito especificamente a Taiwan, mas, quando vendemos alguma coisa, significa que deixamos de tê-la. [...] Portanto, sempre que fazemos uma venda, não apenas para Taiwan, mas para qualquer outro país, avaliamos essa decisão em relação às nossas próprias necessidades em diferentes partes do mundo e verificamos se podemos nos dar ao luxo de vender determinado equipamento, já que podemos precisar dele para nós mesmos", declarou o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio.

Washington continua, assim, aplicando uma política de "ambiguidade estratégica" em relação a Taiwan. Por um lado, mantém sua adesão ao princípio de "uma só China"; por outro, continua fornecendo armamentos à ilha. Além disso, durante a visita de Trump à China, em maio, o presidente evitou responder se os Estados Unidos defenderiam Taiwan em caso de um ataque.