Como a tecnologia sensível do caça F-35 dos EUA foi parar nas mãos da China?

Um funcionário da UPS não teria visto o alerta que impedia o envio por Hong Kong; carga incluía peças com material que reduz a detecção por radar.

A China teve acesso a peças de um caça furtivo F-35 dos Estados Unidos depois que um funcionário da United Parcel Service (UPS) deixou de ver um e-mail que alertava para que a carga não fosse enviada por Hong Kong, informou a Bloomberg nesta quarta-feira (7), citando uma fonte a par do caso.

A remessa incluía uma cobertura de cabine e uma porta do compartimento de armas, as duas revestidas com material imune a sinais radar usado para reduzir a detectabilidade da aeronave.

A remessa deveria seguir para San Francisco via Coreia do Sul e Taiwan, ambos parceiros de defesa de Washington. Após um atraso na Austrália, porém, a carga foi redirecionada por Hong Kong numa tentativa de acelerar a entrega.

Erro logístico

A empresa de transporte DSV A/S, que presta serviços para a Lockheed Martin, enviou um e-mail alertando que as peças não deveriam transitar por determinados países. A orientação buscava cumprir as Regulamentações de Tráfico Internacional de Armas dos Estados Unidos (ITAR), destinadas a impedir que tecnologia militar sensível chegue a adversários de Washington.

A Bloomberg afirmou que o aviso pode ter chegado por um sistema diferente daquele utilizado pelo funcionário da UPS responsável pelo envio.

O caso passou a ser investigado pelo Pentágono e pelo Departamento de Estado. Congressistas norte-americanos também exigiram uma revisão da cadeia global de suprimentos de armamentos.

O F-35 é um caça furtivo de quinta geração fabricado pela Lockheed Martin. Washington controla a venda dessas aeronaves e a limita a seus parceiros e aliados mais próximos.

A Lockheed Martin afirmou que está trabalhando em estreita colaboração com seus parceiros de logística para desenvolver medidas preventivas e reforçar a supervisão.