O porta-voz das Forças Armadas do Paquistão, o tenente general Ahmed Sharif Chaudhry, confirmou em entrevista exclusiva à CNN nesta quarta-feira (7) que forças paquistanesas já estão posicionadas na Arábia Saudita. A declaração foi dada em meio à escalada do conflito entre os rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, e a coalizão liderada por Riad.
"As forças do Paquistão já estão lá. Isso eu posso compartilhar com você", afirmou Chaudhry, sem especificar o número de militares ou suas capacidades, dizendo que esses detalhes são confidenciais.
Em um trecho mais detalhado da entrevista, ele acrescentou: "As tropas paquistanesas estão lá há décadas, em múltiplas capacidades. Como eu disse, esta Aliança de Meca não surgiu do vácuo".
A confirmação veio poucos dias depois de Paquistão, Arábia Saudita e Turquia concordarem com uma rápida mobilização de forças como parte de um novo tratado de defesa mútua informalmente chamado de Aliança de Meca. O acordo prevê defesa coletiva ao estilo da OTAN, na qual um ataque a um membro é considerado um ataque a todos.
Garantias de Chaudhry
Apesar da confirmação da presença militar, Chaudhry foi evasivo sobre um possível envolvimento direto das tropas paquistanesas em operações dentro do Iêmen. "Quando há um conflito militar, nenhum país participante começa a divulgar como e onde vai empregar suas forças", disse ele, acrescentando que qualquer envolvimento seria "de natureza defensiva".
Sobre os objetivos da aliança, foi enfático: "O objetivo desta aliança não é começar a rotular inimigos, inimigos, inimigos, amigos, amigos, amigos. O objetivo é a defesa do Reino da Arábia Saudita…Isso será feito".
Chaudhry também disse que o acordo de segurança coletiva atua como dissuasão: "Qualquer um que tenha ideias engraçadas contra outro vai, esperamos, pensar duas, três ou múltiplas vezes antes de fazer isso. Isso impede que algo terrível aconteça".
Chaudhry afirmou que o Paquistão continua pressionando por um acordo para encerrar a guerra entre EUA e Irã: "Fizemos, estamos fazendo e continuaremos fazendo tudo o que for possível e necessário para que as diferenças e as lacunas diminuam e haja um resultado negociado e pacífico. Não queremos que este conflito se expanda".
O que está acontecendo na região
- A entrevista ocorre em meio à escalada do conflito entre os Houthis e a Arábia Saudita. Nos últimos dias, rebeldes iemenitas atacaram com mísseis e drones os aeroportos de Abha e King Khalid, em Riad, matando três pessoas e ferindo 36.
- Os houthis controlam o norte do Iêmen, incluindo Sanaa, e estão em guerra com o governo iemenita e a coalizão saudita desde 2015. O conflito reacendeu em julho após o colapso do cessar-fogo entre EUA e Irã.
- Em agosto, os houthis lançaram uma nova onda de ataques com mísseis balísticos e drones contra a cidade portuária de Moca, na costa do Mar Vermelho, controlada pelo governo iemenita apoiado pela Arábia Saudita, segundo a Al Jazeera. As defesas aéreas interceptaram seis drones, mas os ataques deixaram 11 mortos e 32 feridos, além de danos consideráveis às instalações portuárias. Os Houthis afirmam que a ofensiva foi uma resposta ao suposto reforço militar saudita na costa oeste do país e na província de Taiz.