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Agro teme perda de investimentos chineses em um eventual governo Flávio Bolsonaro

Especialistas e representantes do setor alertam que instabilidade e alinhamento automático a Washington podem afetar investimentos e exportações.
Agro teme perda de investimentos chineses em um eventual governo Flávio BolsonaroImagem gerada por inteligência artificial

O equilíbrio entre a China e os EUA é a principal reivindicação de um dos setores mais poderosos do Brasil, dada a possibilidade de o país se aproximar da órbita de Donald Trump caso Flávio Bolsonaro consolide sua vitória no segundo turno das eleições. Especialistas e representantes do agronegócio, entrevistados pelo g1,nesta quinta-feira (8), expressaram suas preocupações durante um evento realizado no dia anterior em São Paulo.

Segundo a analista Larissa Wachholz, coordenadora do Programa Ásia do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e assessora especial do Ministério da Agricultura entre 2019 e 2021, Pequim encara a América Latina com cautela e evita ambientes de confronto. Nesse sentido, ela sugeriu que qualquer instabilidade jurídica poderia impactar negativamente os investimentos do gigante asiático.

Wachholz atribuiu a cautela da China à possibilidade de a região se alinhar com Washington, em meio à cruzada de pressão, sanções e ameaças intensificadas pelo ocupante da Casa Branca, Donald Trump, para transformar a América Latina no "quintal" dos EUA.

"Sinais positivos" em relação à China

A especialista alertou que, se o Brasil quiser continuar atraindo capital chinês, precisa enviar sinais positivos, mesmo com um governo mais próximo de Washington.

Ela observou que parte da competitividade das exportações brasileiras, principalmente de carne, depende de infraestrutura financiada por Pequim, como o terminal STS11 no porto de Santos (São Paulo) e a expansão dos terminais de contêineres refrigerados no TCP em Paranaguá (Paraná), controlado pela China Merchants Port.

"Hoje, nós temos investimentos importantes da China nessa área, que é o que acaba viabilizando a nossa exportação tão competitiva", destacou.

Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), também argumentou que a política não deve afetar o comércio. "Frango não tem partido nem ideologia", afirmou, enfatizando que a agropecuária abastece 170 países e representa 35% do PIB brasileiro.

Segundo dados do Ministério da Agricultura, a China é a maior compradora de produtos agropecuários brasileiros, seguida da União Europeia e dos Estados Unidos.