Investigação antitruste dos EUA mira emissoras por interromperem cobertura da Casa Branca

"Os boicotes coletivos entre concorrentes comerciais" poderiam infringir a legislação dos Estados Unidos, destacou uma porta-voz do Departamento de Justiça.

O Departamento de Justiça dos EUA investiga se a decisão das principais emissoras do país — ABC, CBS, CNN, NBC e Fox News — de suspender por pouco tempo, no mês passado, a cobertura de Donald Trump após o veto a três veículos  violou a lei de defesa da concorrência.

"Os boicotes coletivos entre concorrentes comerciais" poderiam infringir a lei antimonopólio Sherman, assinalou Emily Covington, porta-voz do Departamento, citada pela imprensa local.

Jose Zamora, diretor para as Américas do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), criticou neste domingo (11) a decisão da administração de abrir investigação.

"O governo não pode usar investigações antitruste para intimidar veículos que defendem o acesso da imprensa", afirmou Zamora no X. "O direito do público de saber depende desse acesso."

O boicote foi uma resposta à ordem de Trump de proibir, em 18 de setembro, o acesso à Casa Branca da CNN, da MS NOW e do Politico, sob o argumento de que difundem notícias falsas. 

Em resposta, a CNN, a MS NOW e o Politico entraram com uma ação judicial em 21 de setembro para restabelecer o acesso à cobertura da Casa Branca, argumentando que a proibição viola a Primeira Emenda da Constituição.