
EUA ameaçam bloquear fornecimento de armas à Ucrânia — FT

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou suspender o mecanismo de compra de armas para a Ucrânia com o objetivo de pressionar Kiev a interromper seus ataques em profundidade contra a infraestrutura energética russa, revelaram autoridades europeias ao Financial Times neste domingo (11).
As autoridades, que receberam ligações de representantes americanos durante o fim de semana ou foram informadas sobre esses contatos, afirmaram que Washington está pressionando governos europeus e Kiev para pôr fim aos ataques contra refinarias de petróleo russas.
Além disso, o Financial Times informou que a mensagem americana inclui ameaças de suspender o compartilhamento de informações de inteligência e o programa PURL (Lista de Requisitos Prioritários da Ucrânia, na sigla em inglês), que permite aos aliados europeus comprar armas americanas para a Ucrânia no âmbito da OTAN.

"Estão ligando para Kiev, [...] estão ligando para todos [na Europa]", declarou ao FT uma autoridade que recebeu uma ligação de um representante da Defesa dos EUA.
Neste mesmo domingo (11), o presidente americano anunciou que Rússia e Ucrânia chegaram a um acordo de trégua energética, que entra em vigor imediatamente. "Com efeito imediato, é declarada uma trégua energética na guerra entre Rússia e Ucrânia. Ambas as partes chegaram a um acordo. Não o violem!", escreveu Trump na Truth Social.
Para entender como o diesel russo abalou as relações entre a Casa Branca e Kiev, leia este artigo.
Confronto entre Trump e Zelensky
Após o anúncio do acordo energético alcançado por Trump e Putin na sexta-feira (9), Zelensky criticou Washington, classificando o acordo como um sinal de "fraqueza" que não trará paz ao mundo. Em uma entrevista, o líder do regime de Kiev afirmou que uma equipe de negociadores ucranianos estava na Flórida naquele dia, em conversas com representantes americanos, razão pela qual considerou o acordo um ato desonesto. "Eles usam nossa equipe simplesmente como fachada", declarou.
A resposta de Trump foi contundente ao defender o acordo: "Precisamos de diesel. Os preços do petróleo já estão caindo como uma pedra". No dia seguinte, o presidente americano voltou a criticar duramente Zelensky, acusando-o de não querer encerrar o conflito: "Ele poderia ter resolvido esta guerra muitas vezes. E escolhe não fazer isso".
Trump também criticou Zelensky pelos ataques contra refinarias russas, realizados apesar de suas advertências. "Nós dissemos a ele: 'Não ataque as refinarias, porque isso causa um problema mundial'. E ele foi lá e atacou", afirmou o presidente americano, que concluiu com uma proposta direta: "Sugiro que consigam um novo líder que possa chegar a um acordo".
Trump tem se manifestado repetidamente contra os ataques ucranianos a refinarias russas, pois considera que essas ações contribuem para a alta dos preços do diesel. Assim, em 27 de setembro, reiterou que havia pedido a Zelensky que interrompesse a ofensiva contra essas instalações. "Conversei com o presidente Zelensky. Eu disse a ele: 'Você precisa reduzir o ritmo dos ataques contra as refinarias'", declarou.
Em resposta aos ataques de Kiev contra o setor civil russo, as Forças Armadas da Rússia realizam, segundo Moscou, ataques sistemáticos contra alvos militares e instalações energéticas, de transporte, logísticas ou de outros tipos vinculadas ao complexo militar-industrial da Ucrânia.
