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'Comunidade primitiva': Rússia critica Zelensky após declaração sobre eleições na Ucrânia

Maria Zakharova criticou Zelensky por usar "escolher" em vez de "eleger" ao falar sobre a escolha de um líder ucraniano, questionando suas declarações sobre o processo eleitoral.
'Comunidade primitiva': Rússia critica Zelensky após declaração sobre eleições na UcrâniaGettyimages.ru / Danylo Antoniuk / Anadolu

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou neste domingo (11) que o líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, está levando a sociedade ucraniana de volta a uma comunidade primitiva.

No mesmo dia, Zelensky declarou, em entrevista à ABC News, que "cabe aos ucranianos decidir quando votar, como fazê-lo e escolher uma pessoa ou outra". "Cabe à nossa sociedade, ao nosso povo escolher um líder ou outro", reiterou.

Em resposta, Zakharova chamou a atenção para as diferenças entre as palavras utilizadas pelo líder do regime de Kiev.

"Em uma entrevista organizada às pressas por veículos ocidentais, Zelensky [...] usou o verbo 'choose' (escolher), e não 'elect' (eleger), e o substantivo 'leader' (líder), e não 'president' (presidente). Ou seja, como se coubesse à sociedade ucraniana escolher, e não eleger nas urnas, seu líder, e não seu presidente. Magnífico!", escreveu Zakharova em seu canal no Telegram.

A diplomata sugeriu que Zelensky poderia ter se expressado dessa maneira "por desconhecimento do idioma". "Ou talvez tenha revelado o que realmente pensa", acrescentou.

"O sentido implícito seria o seguinte: os ucranianos já escolheram um líder, então para que eleger um presidente?", questionou.

"O regime de Kiev arrasta as pessoas para o abismo do paganismo, não apenas no sentido religioso, mas também no contexto da organização do Estado. Zelensky leva o que resta do país de volta ao nível de uma comunidade primitiva", concluiu Zakharova.

  • O mandato de Zelensky terminou em 20 de maio de 2024, colocando em questão, desde então, a legitimidade de seu governo. O líder do regime de Kiev suspendeu as eleições presidenciais, alegando a lei marcial e a mobilização geral decretadas em razão do conflito militar em curso.

  • Desde o fim do mandato, a questão das eleições não passou das declarações, sem que tenham sido tomadas medidas para prepará-las ou realizá-las.

  • Nesse contexto, o presidente russo, Vladimir Putin, tem chamado repetidamente a atenção da comunidade internacional para o que considera ser a ilegitimidade de Zelensky. Segundo Putin, a Constituição ucraniana estabelece que o presidente, "mesmo sob a lei marcial, não tem o direito de prorrogar seus poderes", prerrogativa que caberia apenas às "autoridades representativas", ou seja, à Rada Suprema, o Parlamento ucraniano.

  • Diante dessa situação, a Rússia tem ressaltado repetidamente a necessidade de realizar eleições. Putin afirmou que a situação na cúpula do poder ucraniano apresenta características de "usurpação do poder".

  • Moscou também tem apontado repetidamente as dificuldades que poderiam surgir na conclusão de um acordo definitivo com Kiev devido à ilegitimidade de Zelensky, conforme a posição russa.