A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou neste domingo (11) que o líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, está levando a sociedade ucraniana de volta a uma comunidade primitiva.
No mesmo dia, Zelensky declarou, em entrevista à ABC News, que "cabe aos ucranianos decidir quando votar, como fazê-lo e escolher uma pessoa ou outra". "Cabe à nossa sociedade, ao nosso povo escolher um líder ou outro", reiterou.
Em resposta, Zakharova chamou a atenção para as diferenças entre as palavras utilizadas pelo líder do regime de Kiev.
"Em uma entrevista organizada às pressas por veículos ocidentais, Zelensky [...] usou o verbo 'choose' (escolher), e não 'elect' (eleger), e o substantivo 'leader' (líder), e não 'president' (presidente). Ou seja, como se coubesse à sociedade ucraniana escolher, e não eleger nas urnas, seu líder, e não seu presidente. Magnífico!", escreveu Zakharova em seu canal no Telegram.
A diplomata sugeriu que Zelensky poderia ter se expressado dessa maneira "por desconhecimento do idioma". "Ou talvez tenha revelado o que realmente pensa", acrescentou.
"O sentido implícito seria o seguinte: os ucranianos já escolheram um líder, então para que eleger um presidente?", questionou.
"O regime de Kiev arrasta as pessoas para o abismo do paganismo, não apenas no sentido religioso, mas também no contexto da organização do Estado. Zelensky leva o que resta do país de volta ao nível de uma comunidade primitiva", concluiu Zakharova.
O mandato de Zelensky terminou em 20 de maio de 2024, colocando em questão, desde então, a legitimidade de seu governo. O líder do regime de Kiev suspendeu as eleições presidenciais, alegando a lei marcial e a mobilização geral decretadas em razão do conflito militar em curso.
Desde o fim do mandato, a questão das eleições não passou das declarações, sem que tenham sido tomadas medidas para prepará-las ou realizá-las.
Nesse contexto, o presidente russo, Vladimir Putin, tem chamado repetidamente a atenção da comunidade internacional para o que considera ser a ilegitimidade de Zelensky. Segundo Putin, a Constituição ucraniana estabelece que o presidente, "mesmo sob a lei marcial, não tem o direito de prorrogar seus poderes", prerrogativa que caberia apenas às "autoridades representativas", ou seja, à Rada Suprema, o Parlamento ucraniano.
Diante dessa situação, a Rússia tem ressaltado repetidamente a necessidade de realizar eleições. Putin afirmou que a situação na cúpula do poder ucraniano apresenta características de "usurpação do poder".
Moscou também tem apontado repetidamente as dificuldades que poderiam surgir na conclusão de um acordo definitivo com Kiev devido à ilegitimidade de Zelensky, conforme a posição russa.